Editorial #08

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Esta edição fecha o segundo ano da revista Trasgo, por isso tomei a liberdade de escrever um editorial diferente: contarei um pouco de como é estar no leme desta publicação que ganha novos fãs a cada edição.

Algumas coisas são difíceis.

Vender, por exemplo. A Trasgo desde o início tenta ser uma revista profissional, e entendo que isso significa pagar os autores pelo seu trabalho. A solução mais óbvia seria vender as edições e distribuir o lucro. Não deu muito certo. Vendemos pouco.

É um pouco paradoxal comparar números com a importância que esta revista adquiriu para mim. São madrugadas editando contos, lendo submissões, fins de semana que passam voando porque a Trasgo está atrasada (de novo).

Vou dizer, é cansativo. Dá vontade de desistir, são horas e horas de trabalho para vender vinte, trinta unidades.

Mas então percebo que a Trasgo é a única revista brasileira exclusivamente de contos de FC e Fantasia com uma periodicidade regular em atividade. Talvez haja outras, não conheço. Se existem, gostaria de conhecer, apresentem-me. Precisamos de mais espaços, não menos.

Espaços onde possamos abrir a cabeça da nova geração de escritores. Apresentar literatura feminista, literatura punk, fantasia anarquista, literatura pós-moderna cyber transgênero transhumanista, literatura que questiona as bases do que é certo ou errado, do que é ético ou não, de como o bater de uma borboleta capitalista em Bangladesh provoca um tornado de pobreza na Ceilândia. A Trasgo ainda está longe do impacto que ela pode ter. Precisamos que escritores escrevam (e pensem). Para isso precisamos continuar existindo.

Algumas coisas são mágicas.

Ir a Porto Alegre na Odisseia de Literatura Fantástica e ouvir repetidamente a frase “Trasgo? Claro que conheço, adoro a revista. Você é o editor?” é o que faz tudo isso valer a pena. Graças a essa revista tive a oportunidade de conhecer muita gente legal do mundinho da FC e Fantasia do Brasil. Gente que dá vontade de dizer “caramba, olha para essa pessoa incrível. Sou amigo dela, viu?” E poder ter editado e publicado essa galera é até mais legal do que imprimir algo próprio.

Alguns contistas são iniciantes. A Trasgo foi o primeiro espaço que conquistaram, e isso é muito legal. É como dizer que você descobriu aquele artista. Imagina daqui uns anos esse povo discursando no Nobel de Literatura dizendo “eu queria mandar um beijo para o editor da Trasgo que publicou meu primeiro conto.” Vou cobrar.

E eu quero mandar um beijo para os revisores Thiago, Lucas, Lívia e Raul, para todos os ilustradores incríveis, para todos os autores e para todo mundo que apresentou a Trasgo a alguém. São vocês que sustentam esse vôo.

Tudo isso para dizer que a partir da próxima edição mudaremos o modelo de negócio. Provavelmente ela será mais gratuita, para chegar a mais gente. Se não conseguimos ganhar dinheiro ainda, primeiro vamos fazer a revista chegar a todo mundo. É para isso que peço a ajuda de vocês. Para a Trasgo a seguir adiante, continuar viva. Leiam, resenhem, critiquem. Os contos, a revista, a edição. Precisamos disso.

E esta edição está incrível.

Clara Madrigano apresenta “A Noiva Diminuta”, uma linda releitura da Polegarzinha, narrada com maestria. Bruno Magno Alves traz “Um Ladrão de Cores”, um conto tão incrível que você vai pensar estar lendo uma HQ. “Envelope a Écadro”, de Cristina Pezel, já começa com sua intensa descrição de uma materialização, enquanto “A Casa do Prefeito” é o primeiro conto da Trasgo rejeitado, reescrito e então aprovado, por Ariel Ayres. Do sul do país trouxemos Simone Saueressig, com “A Linha do Necrotério”, um conto de fantasia urbana que começa suave, mas que se torna cada vez mais intenso com o rodar do ônibus. Fecha esta edição o épico “Deuses de Metal”, um conto sobre samurais e exo-esqueletos robóticos, de Lucas Rezende de Paula.

Também temos a tradicional galeria de Victor Strang, criador desta linda capa que abre a edição, além de todas as entrevistas.

Recadinhos

– A próxima edição da Trasgo, que sairia em dezembro segundo o cronograma normal, sairá somente em janeiro. Depois disso a revista continua trimestral.

– A Newsletter da Trasgo mudou! Agora é mensal, e os assinantes recebem novidades do mundo da FC e Fantasia nacional e dicas para novos escritores. cadastre-se: trasgo.com.br/news.

– O pacote “Trasgo: Ano 2” continua disponível para compra, e inclui as edições 5 a 8.

– Imagens e releases para postar em seu blog estão em trasgo.com.br/imprensa.

Uau, dois anos no ar. A todos vocês, muito obrigado pela companhia na jornada. E não se esqueçam de guardar sempre um punhado de aveia em casa.

Rodrigo van Kampen


Créditos da edição

Organização: Rodrigo van Kampen
Revisão: Lucas Ferraz e Thiago Toste
Ilustração: Victor Strang
Autores: Ariel Ayres, Bruno Magno Alves, Clara Madrigano, Cristina Pezel, Lucas Rezende de Paula e Simone Saueressig

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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