Entrevista: Albarus Andreos

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Albarus Andreos é paulista, engenheiro mecânico, escritor de literatura fantástica, pós graduado em Língua Portuguesa Voltada a Formação de Leitores. Vencedor do Concurso de Contos da UNIMEP de 2009. Autor do romance A Fome de Íbus – Livro do Dentes de Sabre. Participou com contos em diversas antologias. É resenhista de literatura fantástica no blog Menina da Bahia e colaborador do site Homoliteratus.

A Maldição das Borboletas Negras me chamou muito a atenção pelo estilo do texto, que tem uma cadência poética em vários momentos, como a literatura de cordel. Conte um pouco de onde vem sua inspiração para trabalhar nesta linguagem.

Tentei compor um texto com um tom regionalista, mesmo. Não exatamente o cordel, mas com linguagem do interior do estado. Tentei reinventar causos contados por pessoas rústicas, recheado de cores e de sombras, como ouvia quando pequeno, sobre mulas sem cabeça, lobisomens e aparições nas encruzilhadas. Tinha uma empregada que sabia muito bem como deixar um moleque louco com essas fantasias sombrias.

Por que você escolheu trabalhar o ponto de vista do “mal”, e construir Jubelina, um demônio com fraquezas, incertezas e aspirações?

Jubelina é uma caricatura. Astroaldo, outra. Onde já se viu nomes como esses em monstros de lendas, não é? Nomes inadequados, sem dúvida, mas serviriam para assustar criancinhas. Nomes com que caipiras batizariam algum bicho, por exemplo. Os lugares e as paisagens são também pensadas em termos de interior de estado de São Paulo ou Minas ou Paraná, onde as mentes mais simples são mais aptas a se deixar levar por causos de aparições. O fato de ser um monstro é muito singular numa criatura cujo objetivo é ser famosa. Irônico e engraçado que tente seguir modelos de outras criaturas, como lobisomens, por exemplo. Esse é o objetivo dela. É tudo uma brincadeira.

Astroaldo tem uma importância grande no conto, apesar de ser apenas referenciado. Você pensou em escrever sua história? Como você o imagina?

Nunca pensei nisso. Nem tenho ideia de como seja esse aí. O conto foi mais um recurso para expressar uma ideia do que realmente um exercício sério de composição. Queria apenas falar dessa maneira. Ver como me saía. Inventei um narrador com essa voz. Na verdade, é esse narrador a figura central a ser analisada, muito diferente de mim, como sou realmente.

Pode contar para a gente um pouco sobre seu livro, A Fome de Íbus, Livro do Dentes-de-Sabre?

A Fome de Íbus nasceu como um livro único, quando ainda estava na faculdade de engenharia. Queria escrever um mundo para um colega que gostava de RPG, mas quando acabei ele não jogava mais RPG e só se interessava por Magic the Gathering. Fui em frente e de poucas páginas fiz mais de mil, em doze anos de escrita. Era a história de um guerreiro bárbaro que mata um poderoso mago e retira um anel encantado dele. Sobre os ombros desse guerreiro cai então uma maldição e ele busca entendê-la para, quem sabe, achar a solução para se livrar dela. Por motivos práticos A Fome de Íbus foi dividido em quatro livros, sendo o primeiro deles o Livro do Dentes-de-Sabre, publicado originalmente em 2007, nos Estados Unidos, pela editora por demanda Lulu.com, e depois, em 2009, pela Giz Editorial, de São Paulo, numa edição do autor. Os outros livros da série permanecem inéditos.

Sua produção não se limita a um gênero ou estilo. Quais são seus autores e obras favoritos, suas referências?

Amo fantasia, e é óbvio que dentre meus grandes inspiradores estão Tolkien e Martin. Mas também Susanna Clarke, com seu Stephen Strange & Mr. Norrell, Patrick Rothfuss com O Nome do Vento, e o mestre da literatura histórica Bernard Cornwell, com A Trilogia do Graal, As Crônicas Saxônicas, dentre outros. Dentro do terror, adorava Anne Rice com A Hora as Bruxas, com a história da família Mayfair e da organização secreta Talamasca, mas faz muito tempo que não leio nada dela. Devo citar ainda Valerio Maximo Manfredi com seu Aléxandros. No maistream destacaria Pedro Páramo e Chão em Chamas, de Juan Rulfo, Crime e Castigo de Dostoiévski e Juventude, de Joseph Conrad. Tenho que citar também que tudo começou com meu vício pelos quadrinhos da Marvel e a descoberta de um jogo da Blizzard, que foi um marco na minha vida: Diablo I.

O que você tem produzido recentemente? Há algo para sair nos próximos meses?

Tenho produzido contos que saem regularmente em coletâneas. Além de romances que escrevo um pouco e largo um pouco, sem muito pudor. Há vários inacabados, mas estou terminando dois para submeter às editoras. Mas o teor deles é segredo por enquanto.

Onde podemos encontrar mais sobre você e sua obra?

Adoro resenhar os livros de fantasia que leio, e minhas resenhas invariavelmente saem no blog Menina da Bahia. Também produzo matérias exclusivas sobre algumas das minhas manias, processo criativo e dicas de como escrever, que comecei a publicar recentemente no site Homoliteratus.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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