Entrevista: André Caniato

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Nascido em Pontes Gestal, cidadezinha do interior de São Paulo, André Caniato passa os dias trabalhando com crianças e perseguindo realidades paralelas. É tradutor formado, escritor por vocação e, como todo artista, pessoa de mil projetos inacabados. Em breve.

“A Folia dos Mortos” me parece tratar de um filho lidando com a morte do pai. De onde veio a inspiração para esse conto?

As inspirações foram algumas, mas tudo começou com uma música — mais ou menos. Welcome to the Black Parade, do My Chemical Romance, me deu a ideia do desfile de mortos, essa procissão dos falecidos que, aos poucos, foi tomando forma e se tornou algo bem particular meu — a parte visual e as músicas cantadas pelos mortos, pelo menos na minha cabeça, remeteriam às Folias de Reis que eu frequentava na infância, com aquela cantoria embolada e aqueles palhaços assustadores. Já a relação pai-e-filho existe na própria música do MCR, mas não sei até que ponto isso influenciou a atitude suicida da personagem. Talvez um pouco. No geral e por algum motivo, acho que boa parte do que escrevo acaba lidando com morte/perda e as formas que minhas personagens encontram (ou não) para lidar com essas situações.

O conto surgiu para você já no formato que foi enviado à revista, ou a história foi reescrita para chegar naquela versão?

Não cheguei a mudar muito, mas mudei, sim, com certeza. Esse conto em particular passou por mais beta readers do que o comum para meus escritos — entre eles, um pessoal do grupo Reinos Fantásticos que me ajudou um bocado com os comentários. Além disso, ele ficou um bom tempo de molho: a “versão final” veio à tona no começo de 2016.

Quem te inspira no mundo da literatura?

Gente pra caramba! Pode listar? China Miéville, Nnedi Okorafor, Chimamanda Adichie, Daniel Galera, Ana Paula Maia, Clara Madrigano, Jana Bianchi, Diana Wynne Jones… sem ordem lógica definida nessa lista aí, mas tem um bocado de escritores com influências bem definidas na minha escrita. Muito do que tento fazer vem de pessoas que, por terem feito, mostraram que é possível.

Quando você começou a escrever? Por quê?

Sou da geração impulsionada pelo sucesso de Harry Potter. Decepções atuais à parte, o mundo mágico da dona Rowling me caiu nas mãos quando eu tinha por volta de dez, onze anos, e foi por aí que percebi que queria escrever — queria fazer aquilo, sabe? Acho que passei a adolescência plagiando Hogwarts no meu computador, e tive um conto péssimo — mas livre de plágios — publicado lá pelos meus dezesseis anos. Depois disso, as coisas (eu) melhoraram (melhorei) um tanto, mas ainda penso em aproveitar certas ideias daquela época.

Onde podemos te encontrar internet afora para acompanhar o seu trabalho?

Ando sumido do Twitter, mas essa ainda é minha principal rede, e meu espírito vaga por lá como @a_caniato. Também tenho um blog desatualizado para postar textos mais curtos e/ou descompromissados, existo no Facebook, leio no Goodreads. Além disso, autopubliquei um conto young adult na Amazon, o Isto não é um livro de Matemática, e um de fantasia no Wattpad, o Danaus plexippus.

Algo mais que queira compartilhar com os leitores?

Tenho e quero, mas não posso! Fiquem ligadinhes.

Enrico Tuosto
Enrico Tuosto
Enrico Tuosto é escritor, revisor da Trasgo e rockstar fracassado. Também cuida das redes sociais e da newsletter da revista, mas o que ele gosta mesmo de fazer é jogar RPG. enricotuosto.tumblr.com/writing

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