Entrevista: Cesar Cardoso

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Por

Cesar Cardoso

Humorista, poeta e contista, o carioca Cesar Cardoso (1955), é formado em Letras e escreve para TV e mídia (revista Caros Amigos, jornais O Pasquim e O Planeta Diário, programas Tv Pirata, A Grande Família, Sai de Baixo etc).

Lançou os livros infantis O Que É Que Não É?, Você Não Vai Abrir?, Quem Pegou Uma Ponta do Meu Chapéu de Três Pontas que Agora Só Tem Duas? e O Gigante do Maracanã (Editoras Biruta e Gaivota); os juvenis Capoeira Camará(Editora Paulus – Selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil) e Você Pensa Que Água é H2O? (Editora Garamond). E também o livro de contos As Primeiras Pessoas (Editora Oito e meio). Participou das coletâneas A Polêmica Vida do Amor, É Assim que o Mundo Acaba e Para Copacabana, Com Amor (Editora Oito e meio).

That’s All Folks é um conto de vários fragmentos que aos poucos vão pintando um cenário plural. Qual foi a inspiração para o conto?

Bem, em primeiro lugar foi uma encomenda. Fui convidado a participar da coletânea e já havia portanto o tema “É Assim Que o Mundo Acaba”. A partir daí, pensei: o mundo que acaba é só o nosso, humano. E nós temos sempre uma visão fragmentada do mundo. Possivelmente por acharmos que somos o centro dele e que se nós acabamos, ele também acaba. E já que nossa visão é sempre fragmentada, optei pelos fragmentos como forma de contar a história.

O conto trabalha várias visões sobre um fim de mundo. Qual a sua visão sobre o assunto?

Chi! Essa é difícil. Bem, a ideia de Fim significa a morte. E quem de nós consegue lidar com a morte? Ainda mais num mundo ocidental, de consumo, de busca de sucesso, todas essas maluquices que inventamos… para quê? Para não pensar no Fim, não encarar o Fim, fugir da morte. Acho que dizemos O Fim do Mundo porque nossa vaidade não tem limites. O fim da raça humana não é o fim do mundo. Talvez seja até o começo de alguma outra coisa.

Sei que nunca é legal pedir ao autor para que explique o seu final. Mas fiquei curioso, por que aquele gol?

Isso também tem a ver com o fim. Eu gosto dessa ideia, de que a única coisa que vai sobrar de toda a aventura da raça humana é uma narração do milésimo gol do Pelé, que ninguém entende mais o que é.

Quais são seus autores favoritos e referências?

Não sou um leitor de ficção científica, o pouco que eu li não passa dos grandes nomes como Ray Bradbury e Isaac Asimov. Li o Braulio Tavares, que não só escreve como sabe tudo de ficção científica e organiza ótimas antologias. Na literatura em geral — e sem pensar muito pra não fazer lista grande — eu gosto de Sergio Sant’Anna, Dalton Trevisan, Drummond e Manuel Bandeira.

Entre outros, você publicou o livro de contos “As Primeiras Pessoas”, que, assim como esse conto, também traz vários pontos de vista. Pode contar um pouco sobre o livro?

É uma coletânea de contos e seu título mostra o ponto de união das narrativas: são sempre histórias contadas na primeira pessoa. Assim, são vinte e poucas histórias e eu construí vinte e poucos personagens, vinte e poucas vozes, cada uma vivendo um momento crucial de sua vida. Estão todos na beira de um abismo. Uns já caíram e tentam subir de volta, uns acabaram de despencar, uns estão ali na beirinha. E quase todos não sabem em que lugar do abismo estão. Se estão subindo ou descendo.

Você tem uma boa produção de literatura infantil e infanto-juvenil. O que você acha mais interessante de escrever para crianças?

É lembrar da criança que eu fui, que adorava escutar as histórias que o avô contava e que começou a conhecer e descobrir o mundo através dessas histórias e das que foi descobrindo dentro dos livros. Até que cheguei a um momento em que quis criar meus próprios mundos, escrevendo as minhas histórias. Como disse o Manuel Bandeira, no poema Testamento: “Vi terras de minha terra / por outras terras andei / Mas o que ficou marcado / No meu olhar fatigado / Foram terras que inventei.”

E quanto à TV? Você se identifica mais em sua literatura ou em sua produção de roteiro?

São duas produções diferentes. A TV é um trabalho quase sempre coletivo, o que é muito interessante. Então, gosto das duas mas me identifico mais com minha literatura pois ali é um trabalho mais individual e, assim, mais autoral.

Em que tem trabalhado? Há algo que possa nos revelar?

Tenho sempre muitos projetos. No momento acabei mais um livro infantil, enviei para a minha editora e ela gostou muito, vai lançar ano que vem. O que é ótimo. Também estou terminando um livro de poemas, que se chama “coisa diacho tralha” e vai ser lançado ano que vem pela Editora Texto Território. Estou discutindo algumas questões do livro com os dois editores, que também são poetas. Termino também um livro de contos novo. Esses são os projetos principais. Há vários outros que estão ou no inicio ou a meio caminho andado. Mas, na literatura, às vezes a gente andou meio caminho e descobre que está na trilha errada. Então tem que voltar todo aquele caminho já feito e achar um outro.

Quais os caminhos para quem deseja saber mais e acompanhar seu trabalho. Links?

Eu tenho um blog, chamado Patavina’s, que funciona como se fosse uma revista literária, onde publico coisas minhas e de muitos outros autores, normalmente em edições bimestrais. Mas ele está parado este ano de 2014. Quero retomar o blog, dentro de um projeto maior, que é fazer um site meu, onde as pessoas poderão conhecer um pouco de todos os meus trabalhos e dos meus livros também. Essa é uma das primeiras tarefas minhas para 2015. Ah, o endereço do Patavina’s é cesarcar.blogspot.com.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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