Entrevista: Claudia Dugim

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Nascida em São Paulo quando ainda garoava, Claudia Dugim é adoradora de grandes cidades. Cursou colégio técnico de Artes Gráficas e posteriormente graduou-se em Letras e Pedagogia; é professora de inglês como segunda língua. Escreve desde pequena, fã de histórias de todo tipo: filmes, quadrinhos, livros, vídeogame, RPG. Lançou um livro de poesias nos anos 90 e parou, voltou a escrever em 2011 e lançou O Caminho do Príncipe em 2013, em fase de reedição. Tem contos publicados na Revista Trasgo, nos Contos Sonoros, nas antologias Piratas (Editora Catavento), Boy’s Love e Contos do Dragão (Editora Draco). Coordenadora do Grupo de Escritores “Singularidades”, cujo primeiro projeto foi lançado em 2015, “Cobaias de Lázaro”. O segundo projeto, “Retrônicos” será lançado ainda este ano. Dá aulas como voluntária em Oficinas Literárias dentro do projeto Vai (Gibiteca Balão) da prefeitura de São Paulo.

De onde surgiu a vontade de trabalhar com a mitologia Maia?

Eu gosto muito da América Latina, sua cultura e história. Depois de ir a uma exposição na OCA, “Maias – Revelação de Um Tempo Sem Fim”, fiquei realmente fascinada pela cultura do povo maia e quis saber mais.

Você fez uma grande pesquisa para o conto? O que é derivativo da mitologia e o que é criação original?

Foram dois meses de pesquisa, mais ou menos, entre leituras de livros e artigos, vídeos e fotos. Faz pouco mais de 20 anos que decifrou-se a combinação de glifos e letras que compõem a escrita Maia, portanto o que se conhece ainda é uma pequena parcela. De certa maneira o que está no conto é baseado em fatos reais (risos), poderíamos chamar de uma fantasia histórico-mitológica (risos). Existiu de fato um governador chamado K’inish Pakal, existiu de fato uma governadora Sak Kuk, os dois viveram na época áurea de Palenque. Os sacrifícios, as tumbas sob as pirâmides, a comida e mesmo a Senhora das Moscas são todos frutos de pesquisa na parte histórica. Para a jornada de Pakal pelo Inframundo tentei reunir visões de épocas diferentes das crenças Maias e montar um painel ao mesmo tempo conciso e interessante. A lenda de Cakix, a pirâmide de Xibalba e o rio de sangue constam da mitologia maia. O desafio foi colocar todas estas visões históricas e mitológicas dentro de uma lógica, e pensar em sequências de embate sem espadas ou machados, como é comum na fantasia. Os Maias desconheciam o metal, usavam lâminas de cerâmica endurecidas num processo ainda não desvendado, flechas e zarabatanas.

Há no conto a figura do próprio narrador, o escriba. Isso traz a questão do narrador pouco confiável, necessário ao misticismo apresentado. Quais foram as suas principais referências para este conto e estilo de narrativa?

A escolha e o estilo foi em homenagem ao historiador e escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor de “Memórias do Fogo – Nascimentos”, um apanhado sobre histórias do período pré-colombiano e um dos meus livros favoritos ever. Os escribas eram os historiadores da época. No conto eu deixo claro que Itzamná fantasia sobre os fatos, criei assim um paralelo com minha própria intervenção fantasiosa sobre a História e Cultura Maia. Uma coisa que tomei muito cuidado foi em respeitar os valores desta cultura, não torcer em demasia acrescentando elementos caricatos ou estereotipados.

Você nos trouxe agora algo bem diferente de “Gente é tão bom”, publicado lá na primeira Trasgo. O que mudou ou evoluiu no seu processo de escrita nesses dois anos?

Eu tenho estudado muito composição de texto, acho que minha técnica melhorou, o que é essencial para contar histórias longas. Mas ainda continuo escrevendo contos mais viscerais como “Gente é Tão Bom”. O último pode ser lido no meu blog no link ali em baixo, uma distopia sobre a velhice: “O desejo se ser como um rio”.

Quando eu publiquei “Caminho do Príncipe”, que ficou uma bosta (risos), estava voltando a engatinhar nesta coisa de escrever, fiquei 20 anos sem produzir nada. De dois anos para cá eu passei a me dedicar a construir um caminho sólido, participei de 5 concursos e fui escolhida em 4. Três dos meus contos foram publicados em editoras, dois na Draco e um na Catavento. Também editei a produção de uma obra coletiva junto com amigos escritores e estamos finalizando o segundo projeto. Terminei dois livros e reescrevi outro, além de contos, microcontos, poemas e roteiros de quadrinhos. Continuo apostando nos concursos em editoras como porta de entrada para a futura publicação de um livro. Espero que quando publicar um romance de fantasia ou ficção científica eu possa oferecer um trabalho legal, do qual me orgulhe. “Matando Gigantes” agora está disponível em Wattpad para quem quiser ler e criticar.

Pode contar um pouco sobre sua produção independente e o que mais tem escrito que pode nos adiantar?

Com um grupo de amigos eu publiquei a distopia “Cobaias de Lázaro”, uma série de contos no mesmo universo ligados entre si, foi um projeto muito legal e muito bem cuidado. Está em e-book e logo será possível encontrar também o livro físico. Os links estão todos no wordpress, tanto para o Cobaias quanto para as outras obras que já publiquei nestes dois anos.

Àqueles que querem conhecer melhor o seu trabalho ou bater um papo, qual o caminho?

Para entrar em contato comigo podem me procurar no Twitter ou no Facebook ou no Wattpad

fb.com/claudia.dugim

twitter.com/claudiadugim

wattpad.com/user/ClaudiaDugim

Os links para os meus trabalhos publicados e onde comprar e os para a leitura gratuita estão aqui:

claudiadu.wordpress.com/about/

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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