Entrevista: Claudio Parreira

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Claudio Parreira é escritor e jornalista. Foi colaborador da Revista Bundas, do jornal O Pasquim 21, Caros Amigos on line, Agência Carta Maior, entre outras publicações. Teve contos incluídos nas coletâneas “Contos de Agibeira”, “Fiat Voluntas Tua”, “Dimensões.Br”, “Portal 2001”, “A Fantástica Literatura Queer”, “Fragmentos do Inferno” e também “Linhagem Montessales – Retratos da Inquisição”. Recebeu Menção de Honra para o conto O Jardim de Esperanças (Der Garten Der Hoffnungen), da Revista de Assuntos Latino-Americanos XICOATL, Áustria, em 1996. Foi ainda o ganhador do 1º Concurso de Contos da Revista piauí, em março de 2007 e, no ano seguinte, integrante do folhetim despropositado A Velha Debaixo da Cama, da mesma revista. É autor, pela Editora Draco, do romance “Gabriel”.

A primeira coisa que chama a atenção em “Invasão” é o narrador-personagem, que quebra certas formalidades da narrativa e insere outras desnecessárias, dando o tom do conto. O que você acha sobre linguagens, escrita polida e estilos?

Houve um tempo, quando comecei a escrever, que eu achava que texto bom era texto formal, que seguia o padrão. Fiquei anos preso ao estilo bem comportado e aquilo que eu produzia não se diferenciava em nada dos demais. João Silvério Trevisan, tempos depois, me mostrou exatamente o contrário: era preciso arrebentar o texto, emprestar a ele a própria voz. É isso que venho fazendo desde então: procurando quebrar as formalidades e transformando inclusive as desnecessidades em matéria-prima da minha própria voz. Acredito que é preciso, primeiro, construir um texto com perfeição para depois arrebentá-lo perfeitamente.

Não tem muita gente no Brasil fazendo sucesso com literatura de humor. Como você enxerga esse cenário e em quem você se inspira, quais são suas referências nesse sentido?

É uma pena que o humor não esteja sendo bem aproveitado na literatura brasileira contemporânea. O que se vê — quando se vê — em geral é humor de baixo nível que não acrescenta nada. Quando penso em humor acabo voltando aos grandes mestres, como João Ubaldo Ribeiro, por exemplo. “Vencecavalo e o outro povo” é um livro que se utiliza do fantástico (ou realismo mágico, como queiram) para expor as mazelas da sociedade brasileira e é totalmente impregnado de um humor corrosivo que infelizmente quase não se encontra nos autores mais jovens. Outro autor que me serve de referência e que utiliza muito do humor é Deonísio da Silva, cuja obra também esculhamba a linguagem bem comportada.

Como foi passar por lugares como a Revista Bundas, O Pasquim 21, Caros Amigos, Carta Maior?

Foram passagens muito enriquecedoras, onde pude exercitar o humor e o jornalismo de forma mais livre e prazerosa. Aprendi muito sobre extrair do cotidiano cinzento uma visão mais divertida. Ainda mantenho essas experiências no que escrevo hoje.

Além da grande produção de contos, você publicou seu primeiro romance, Gabriel, pela Editora Draco em 2012. O livro também é um exercício no absurdo?

Sim, Gabriel é um grande exercício de absurdo. Mais que isso: é a prova de que se pode escrever um bom livro, que toca em questões polêmicas, com leveza e bom humor, sobre o qual tanto falamos acima. Alguns leitores certamente consideraram Gabriel um livro, digamos, ofensivo ao Catolicismo — mas não foi essa a minha intenção. O que pauta todo o livro é o questionamento, coisa que parece meio em desuso e que precisa voltar o mais rápido possível para salvar a muitos da hipnose coletiva imposta pela TV.

Compendium Universalis é seu mais novo lançamento, de modo independente. Ele é vendido como “uma coleção de artigos sobre as mais variadas e complexas disciplinas”, sobre o que se trata?

Compendium Universalis é um livro que vem me deixando muito contente com sua repercussão, que tem sido positiva em muitos aspectos. E o livro trata justamente da arrogância de determinados setores que se consideram os donos da verdade, principalmente no campo cultural. É um livro que fala de vaidades, essa coisa bem humana de se achar dono do conhecimento em detrimento do conhecimento dos outros. De maneira geral, o livro é composto de pesquisas e artigos sobre os mais variados tipos humanos, que todos nós conhecemos, mas nem sempre nos damos conta. Tudo com muita seriedade e humor, por mais paradoxal que isso possa parecer. A propósito, quem quiser baixar o livro por um preço bem camarada, aqui está o link: amazon.com.br/dp/B00K7D8R1Y

Há alguma outra obra em que esteja trabalhando, que você possa nos adiantar?

Venho trabalhando já há algum tempo em um novo romance, mas tudo o que posso adiantar agora é que não posso adiantar nada agora rsrsrsrsrs.

Uma última pergunta: Bruna Lombardi?

Sim, a Bruna! Poderia falar muito sobre ela, mas acho que o Carlos Alberto Riccelli não ia gostar nem um pouco disso.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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