Entrevista: Cristina Lasaitis

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cris-lasaitisCristina Lasaitis é formada em biomedicina e estuda editoração, almoça e janta literatura todos os dias; é revisora de textos, tradutora e escritora. É autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” e co-organizadora da antologia de contos fantásticos LGBT “A Fantástica Literatura Queer”.

O homem atômico se equilibra bem entre a história de um personagem e a história de um contexto maior. De onde surgiu este conto, qual a sua inspiração?

O conto surgiu quando fui convidada para uma antologia de contos curtos sobre São Paulo — o livro Visões de São Paulo. Na época eu estava perdida com um romance que não evoluía, e esse convite desencalhou minha produção, foi quando engrenei a escrever contos. A ideia de O Homem Atômico me surgiu num estalo e eu escrevi em uma noite. Simplesmente tentei juntar meu interesse literário em ficção científica com minha visão da cidade de São Paulo.

Este conto foi publicado em 2006. O que você faria de diferente se o escrevesse hoje?

Eu teria feito uma pequena mudança de contexto histórico: teria colocado o general Geisel como o autor do projeto nuclear secreto do governo brasileiro. Faz alguns meses li uma reportagem dizendo que Geisel realmente considerou desenvolver em um projeto assim.

Sua produção me parece muito mais voltada a contos, como muitos autores de ficção científica, com extensa publicação em revistas e coletâneas. Por que a sua preferência por este formato?

Não digo que contos são fáceis de escrever, mas são mais simples de levar a cabo e de produzir em grande quantidade. Justamente pela dinâmica de produção, são um ótimo laboratório para treinar estilos, linguagem, formas diferentes de narrar… Contos são uma escola para o escritor iniciante.

Como ainda não publiquei um romance, acho que posso me chamar de contista. Minhas ideias para histórias curtas têm ficado mais escassas nos últimos anos, mas também estão mais ambiciosas. Contudo, estou tentando engrenar meus romances, tenho quatro começados e ainda nenhum próximo ao término. Talvez esse atraso se deva, em partes, por eu redigir histórias longas com o mesmo critério que uso nos contos, portanto vai ser natural demorar. Mas estou preocupada em cuidar para que não demore demais.

Como foi participar da organização dos livros da série “A Fantástica Literatura Queer?”

A Fantástica Literatura Queer ainda está sendo. No momento desta entrevista, estou terminando as revisões para o volume azul e com uma ótima impressão dos contos desta última seleção. Apesar da Tarja Editorial ter encerrado as atividades, iremos continuar a publicação por outra editora, atualmente estamos em negociações. Serão seis livros no total.

O que eu sinto em relação a esse projeto? Sinto que é um passo que alguém tinha que dar, alguém tinha que injetar um estímulo para a temática LGBT na literatura fantástica brasileira, então eu, Rober Pinheiro e mais nossos editores da Tarja decidimos fazê-lo. Não é apenas a literatura pela literatura, creio que é nossa função enquanto artistas contribuir para movimentar discussões, fazer as pessoas pensarem sobre o assunto, usar a via da cultura para catalisar o avanço dos direitos LGBT no Brasil. Mesmo que seja uma pequena contribuição, fico feliz de poder fazer alguma coisa.

Seu livro de contos solo “Fábulas do Tempo e da Eternidade” foi publicado pela Tarja, que infelizmente fechou as portas. Há planos de relançamento independente ou por outra editora?

Sim, neste momento estou negociando a republicação do Fábulas do Tempo e da Eternidade. Ainda não fechei contrato.

Li uma entrevista em que você diz que este livro foi uma divisão de águas, de pesquisadora para se dedicar integralmente à escrita. Como foi esta decisão?

Foi um processo que durou alguns anos e foi pontuado por uma série de pequenas crises, mas se eu puder resumir, foi o casamento de uma paixão pela literatura com uma frustração pessoal na atividade de pesquisadora. Não quero dizer que ser escritora e viver de fazer revisões seja ótimo, nem que ser pesquisadora seja ruim, mas passei a entender melhor o meu perfil de trabalho e o que me dá satisfação.

Por mais que atue no meio editorial, sempre terei um pé nas ciências biomédicas. E se um dia eu voltar para o laboratório, sei que vou me distrair de todas as formas pensando no que quero escrever. Apesar disso, acredito que encontrei uma fórmula que me faz sentir, em vez de dividida, completa.

Há algo na manga para os próximos meses?

Estamos negociando uma nova editora para A Fantástica Literatura Queer. Então creio que nos próximos meses teremos uma resposta, quem sabe o volume azul já publicado.

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Editor
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Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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Um comentário

  1. Bruno Eleres / 11 de maio de 2014 at 21:00 / Responder

    Às vezes tenho pequenas crises com a falta de tempo que tenho para me dedicar à minha produção literária. Tenho focado muito em pesquisa e ainda não consegui acertar o passo para equilibrar tudo – mas tenho tentado!

    Ainda não tive oportunidade de ler os livros d’A Fantásticas Literatura Queer, mas estou com vontade já faz alguns meses. Espero conseguir comprar em breve!

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