Entrevista: George dos Santos Pacheco

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George dos Santos Pacheco

George dos Santos Pacheco (1981) publicou “O fantasma do Mare Dei” (Editora Multifoco) em 2010. Publica textos na internet e edita o site Revista Pacheco desde 2009. Em 2013 foi premiado em 1º lugar, na categoria crônica, e em 2º lugar, na categoria conto, no 1º Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo. Este ano, teve seu conto “A Dama da Noite” adaptado para um curta metragem homônimo, através do coletivo audiovisual de Nova Friburgo “Sétima Literal”.

Nota do editor: o conto de George dos Santos Pacheco, “Os Americanos que Vieram do Céu”, é exclusivo do Ebook.

“Os Americanos que Vieram do Céu” se passa no interior do Rio, na época da Segunda Guerra Mundial. O que o levou a este cenário específico? Qual a inspiração do conto?

Percebi que muitos escritores brasileiros, influenciados por seus autores de cabeceira, tendem a ambientar seus textos em cidades como Rio de Janeiro e outras capitais, isso quando o local não é uma cidade estrangeira. Eu não tenho nada, por assim dizer, diretamente contra isso. A história deve seguir em qualquer lugar, em qualquer época, mas a exclusividade dos ambientes que eu citei me incomoda, assim como os nomes de personagens em língua estrangeira. Dessa forma, há muito que decidi que as minhas histórias deveriam se passar, ou ter parte delas, na cidade onde nasci e moro até hoje, Nova Friburgo, interior do Estado do Rio de Janeiro.

O uso da Segunda Guerra Mundial como pano de fundo foi um artifício que busquei para motivar a viagem deles para o interior e acabou tomando uma proporção maior à medida que eu escrevia. Com isso, procurei também marcar bem a personalidade dos irmãos Tomás e Carlos Antônio, que já no início do conto se mostram muito diferentes.

O que você acha da literatura e FC nacionais que se passam nestas terras?

Eu acho que temos autores muito bons por aqui, excelentes mesmo. É o caso do Eduardo Spohr, do André Vianco, já devidamente reconhecidos, mas também de tantos outros que vem batalhando na internet — uma verdadeira divisora de águas no quesito oportunidade — por um espaço só seu. Há diversos sites dedicados ao tema, mas que às vezes, passam despercebidos do grande público, o que gera aquele tipo de comportamento que citei anteriormente. Como se lê muito texto estrangeiro, alguns autores escrevem com se fossem de fora. Há que se valorizar cada vez mais o autor nacional, e iniciativas como a da Trasgo criam excelentes condições para isso, ajudando a acabar de vez com esse preconceito que até pouco tempo atrás acometia também o cinema nacional, por exemplo. Algumas pessoas torcem o nariz apenas por saber que foi produzido aqui.

Há uma sobreposição rica no conto, dos amores de Tomás e Carlos Antônio por suas mulheres com os tais “americanos que vieram do céu”. Isso foi planejado desde o começo?

Geralmente quando eu tenho a ideia de uma história, ela já vem com início e fim; o meio é desenvolvido à medida que vou escrevendo (e eventualmente o início e o fim acabam mudando nesse processo). Os “americanos que vieram do céu” poderiam nem mesmo ter surgido que o triangulo amoroso já estaria formado, mas a participação deles condicionou o comportamento dos irmãos durante a história.

Quais são seus autores favoritos, referências?

Apesar de me aventurar de vez em quando em histórias de terror e FC, criei-me como leitor e escritor com histórias policiais. O primeiro livro que me lembro de ter lido foi “A Maldição do Tesouro do Faraó”, de Sersi Bardari, que tem um enredo de mistério bem policial, o que me impulsionou a ler os clássicos de Agatha Christie (ora, eu também sofro influência estrangeira!), mas depois vieram Machado de Assis com Brás Cubas, e “Dom Casmurro”, as crônicas de Moacir Scliar e de Stanislaw Ponte Preta. Gosto muito também dos textos de Conan Doyle (que não é feito apenas de Sherlock Holmes) e de Ian Fleming (o James Bond dos livros é muito mais complexo e interessante do que no cinema).

Como costuma ser o seu processo criativo ao escrever?

Bráulio Tavares disse, certa vez, em um encontro literário que tivemos no Festival de Inverno Sesc Rio, aqui em Nova Friburgo, que “as ideias são artigos de luxo. Se não dermos atenção a elas, alguém passa e as toma de nós”, então eu tenho sempre papel e caneta disponíveis. Geralmente eu faço um esboço digitando, ou à carmim (dependendo de onde me encontro) com um título provisório, mas que às vezes se torna permanente.

Depois eu digito o rascunho até onde consegui escrever, imprimo, reviso com caneta vermelha, e continuo a escrever. Digito as alterações, reviso com caneta vermelha novamente, e continuo a escrever, até concluir o texto, que pode ser uma crônica, conto, ou capítulo de romance. Depois peço para minha esposa e alguns amigos lerem e darem suas opiniões. Às vezes o texto sofre outras revisões após isso.

Pode contar um pouco sobre seus livros “O fantasma do Mare Dei” e “Sete – Contos capitais”?

“O fantasma do Mare Dei” marcou o início do meu trabalho como escritor. Eu já tinha rascunhado algo parecido com um romance nas folhas de um caderno dos últimos anos do Ensino Fundamental, mas achei que aquilo era erudito demais para mim e o abandonei. Perdi o caderno. Em 2006 fui incentivado através de uma entrevista da escritora Sônia Belloto, e como gosto muito do tema policial — e na época lia muito Agatha Christie — escrevi “O fantasma do Mare Dei”, que publiquei em 2010 pela Editora Multifoco. A história se passa em um navio transatlântico, em que supostamente embarca um misterioso estelionatário de mulheres, e um investigador parte em seu encalço.

“Sete – Contos capitais” faz parte de outra fase. O tal romance no caderno do Ensino Fundamental tinha o tema dos sete pecados capitais, e eu queria muito escrever algo sobre isso. Depois que publiquei o romance, meu trabalho tem sido basicamente na internet, com a publicação de contos e crônicas em meu site e muitos outros. Então surgiu a ideia de escrever contos para os sete pecados capitais, que compilei nesta antologia e publiquei pela plataforma de autopublicação “Publique-se!” da Editora Saraiva.

Você tem trabalhado em quê? Há algo para sair que você pode nos contar?

Concluí este ano um romance que já enviei para editoras e estou aguardando ansiosamente pelo contato. No momento não posso revelar muita coisa, mas acredito que os leitores vão se identificar bastante com essa história que é bem brasileira, recheada de humor, sexo, intrigas, e mistério. Aposto muito neste material e espero que não demore muito a sair do forno!

Quais endereços você recomenda a quem quer conhecer melhor o seu trabalho e ir atrás de mais material?

Tenho textos publicados no meu site, Revista Pacheco, além de A Irmandade, Tertúlia, e Démodé, incluindo uma coluna quinzenal na Revista Êxito Rio, e algumas colaborações para o jornal A Voz da Serra, de Nova Friburgo. Sou um dos autores da Coletânea “Assassinos S/A Vol. II”, da Editora Multifoco, do e-book “Contos Sombrios de Natal”, do fórum literário Câmara dos Tormentos (atual A Irmandade). Também publiquei um conto na edição do 3º trimestre de 2011 da Revista Marítima Brasileira e na edição de novembro de 2013 da Revista Varal do Brasil.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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