Entrevista: Jim Anotsu

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jimanotsuJim Anotsu não gosta de chocolate amargo. Costuma escrever coisas que inventa e essas coisas são publicadas em papel. É o autor acusado de cometer “Annabel & Sarah” e “A Morte é Legal”, assim como alguns contos em coletâneas. Seu próximo livro será publicado pela Editora Gutenberg em algum momento do universo. Ele tem uma gata chamada January e uma noiva.

Qual a principal inspiração para Hamlet: Weird Pop?

Eu sempre gostei de Shakespeare e isso está em muita coisa do que escrevo, sendo que o próprio fez uma “participação” no meu livro “A Morte é Legal”. E eu sempre gostei de comédias com coisinhas estranhas e aleatórias, como aqueles filmes dos anos de 1980 que tinham premissas absurdamente cheessy, mas que eram divertidos. Eu estava assistindo a um programa sobre a autora de “Axolotle Atropelado” — e o fato de ela ter sido processada pela pessoa de quem ela plagiou — na mesma época em que relia “Puck’s From Pook’s Hill” de Rudyard Kipling. Juntando essas duas coisas com um pouco da cultura pop que mergulha na minha cabeça surgiu a história. Era minha brincadeira de mexer com Puck — outro personagem Shakesperiano que eu já havia utilizado anteriormente, também em “A Morte é Legal” — e com um pouco de como cada um mexe nas obras dos autores de sua própria forma, transformando, enriquecendo ou mutilando.

No conto há referências ao teatro clássico. Qual a sua relação com esses clássicos?

A minha formação acadêmica é voltada para o estudo de clássicos da literatura inglesa, fazendo com que Shakespeare, Kipling, Ben Jonson e outros poetas e escritores façam parte do meu dia a dia. Eu tenho uma ligação muito grande com esse tipo de literatura porque eu cresci com ela e não fazia muita diferenciação entre clássicos e livros de entretenimento. Logo, eu cresci com um pé em cada mundo, na literatura de fantasia, que é a minha favorita, e os clássicos — de vez em quando eles se esbarram, chocam e soltam faíscas. Não é preciso duplipensar, basta gostar de ler e conhecer essas obras que estão aqui há muitos anos. Uma pessoa que busca os clássicos sempre poderá encontrar ótimos amigos. Partilho do sentimento que Wallace Stevens — um dos meus poetas favoritos — coloca num de seus poemas: The reader became the book; and summer night/Was like the conscious being of the book. O leitor se torna o livro e poder se tornar Hamlet, Mogli ou Lady Bracknell é sempre divertido.

Suas obras costumam ser rechadas de referências, principalmente à cultura pop. Você faz muita pesquisa para escrever?

Sim e não. Depende do material no qual estou trabalhando. Por exemplo, Hamlet: Weird Pop nasceu num estalo, por isso não pesquisei tanto, mas busquei minhas memórias afetivas e a forma como eu me lembrava das histórias. Eu costumo memorizar trechos de peças e poemas, por isso eu já tinha o material na cabeça. Para os romances a coisa é diferente. Em “Annabel & Sarah” eu pesquisei muito sobre a literatura noir, autores, referências e coisas do tipo. Em “A Morte é Legal” eu fiz uma pesquisa intensa e profunda sobre o mundo do hip hop e cheguei a frequentar duelos de rap e compor raps para que eu soubesse do que estava falando. Sou meticuloso e costumo gastar dias para saber se escrevo uma banda ou outra na camisa de um personagem.

Vi você comentar no Twitter que escreve devagar. Qual o seu processo de escrita, você tem um ritual, algo assim?

Vários. Eu sou uma criaturinha de hábitos. Eu escrevo, imprimo, mexo, corto, reviso, volto para o computador e assim por diante. Eu sou detalhista com o número de palavras que eu quero e a forma como quero que algo apareça. Muito disso vem do fato de que gasto horas pra fazer cada parágrafo, sempre buscando uma coisa aqui e ali. De resto eu gosto de silêncio e fico extremamente irritadiço e impaciente com seres humanos durante o “período fértil”.

Você está escrevendo um livro para sair pela editora Gutenberg, estou certo? Há algo que você pode adiantar dele para a gente?

Sim, o meu próximo romance será publicado pela Editora Gutenberg, que é a casa de outros autores a quem admiro profundamente, como Felipe Castilho e Eric Novello — que para mim, ao lado de Jacques Barcia, são os melhores autores nacionais de fantasia no país. Eu não tenho muito a dizer sobre o livro novo, exceto que ele é bem diferente do que fiz até o momento, mas que mantêm aquilo que os meus leitores conhecem. Eu gosto de comparar os meus livros da seguinte forma. “Annabel & Sarah” era o meu “Is This It” do The Strokes, “A Morte é Legal” é como se fosse o “Pinkerton” do Weezer e o livro novo é um disco do Ramones com três acordes tocados na velocidade da luz. É a história de uma garota que toca numa banda, xamãs urbanos e raquetes de tênis altamente perigosas.

Há algo mais que queira divulgar nessa entrevista? Aproveite o espaço.

Bem, não há muito que eu possa contar no momento — as coisas estão meio corridas e nem tudo está finalizado e decidido. Só espero que as pessoas continuem acompanhando o meu trabalho e que se divirtam com o que escrevo. Acho que mais detalhes devem surgir em breve nas minhas redes sociais e no meu blog.

Onde podemos encontrar mais informações sobre você e suas obras?

O meu blog pessoal é o popdivision.blogspot.com, que é onde eu comento coisas inúteis. Em breve ele será substituído por um site propriamente dito, mas até lá eu posto bobagens ali. Tem o Twitter @jimanotsu e a página no Facebook com o meu nome. Meus primeiros livros podem ser encontrados através da internet e em livrarias. Muito obrigado pelo espaço e até a próxima.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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3 comentários

  1. Noris / 31 de agosto de 2014 at 22:31 / Responder

    Acabei agora há pouco a leitura do “A Morte é Legal”, que livro demais, adorei o estilo do Jim Anotsu! E só comecei a lê-lo por causa da sua resenha no Tumblr :-)

  2. ana / 21 de abril de 2015 at 05:04 / Responder

    Eu tenho uma pergunta ao Rodrigo van Kampen. Com esse sobrenome posso quase dizer que vc é holandes? estou errada? Pois bem, eu moro na Holanda e tenho dois filhos aqui. O mais velho de 10 adora ler e eu gostaria de saber se o livro Rani do Jim Anotsu nao será traduzido para o holandes.
    Obrigada e parabéns pela entrevista. Gostei. Nao conhecia o autor, mas umas amigas indicaram o livro Rani, e achei super interessante.

    • Editor
      Editor / 22 de abril de 2015 at 09:52 / Responder

      Olá, Ana.
      Sou descendente. Obrigado pela leitura, vou pedir ao autor para responder sobre Rani, já que não sei a resposta.
      Abraço!

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