Entrevista: José Abrão

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José Abrão é de Goiânia, tem 25 anos e é jornalista e mestrando em Performances Culturais.

A protagonista Cybelle é uma personagem forte e de personalidade sólida. Apesar de ser uma elfa de orelhas pontudas, eu não diria que a história apela para o estereótipo élfico. Ela surgiu junto com a história, ou a história surgiu a partir dela?

A história surgiu a partir dela. O atrito gerado por diferenças étnicas e culturais sempre me interessou muito como temática, tanto em fantasia quanto em ficção-científica. Junto a isso, quando me propus a criar a minha versão de elfo, queria fazer o oposto do convencional: esbeltos, geralmente muito brancos e loiros e sempre arqueiros, o típico Legolas. Mesmo quando criam etnias diferentes de elfo, os loirões sempre estão lá. Daí veio a ideia de criar uma versão de elfo que tivesse a pele e o cabelo pretos e a ideia de criar uma usuária de magia. Aí eu juntei as duas coisas e pra ela lidar com os problemas de ser diferente, ela teria que ser durona. Eu também gosto muito de criar protagonistas femininas, acho que já existem heróis masculinos demais.

O cenário do conto é peculiar e familiar ao mesmo tempo. Como foi escrever essa história?

Olha, foi um tiro no escuro. Eu gosto muito de fantasia, mas sempre fico com o pé atrás com fantasia nacional por um problema: fazer com um cenário europeu sendo que aqui a gente tem muito folclore e história. Há muito tempo eu nutro essa ideia de misturar as coisas pra ver se dá certo. Cybelle e seu conto, inclusive, foram meu primeiro teste nesse cenário. Planejo continuar escrevendo sobre isso e tentando colocar mais inspirações de Goiás e seu passado de tropas e boiadas.

O que mais te influencia na escrita? Nos conte sobre suas obras e autores preferidos, ou seja o que for que mais te inspira.

É difícil te dizer, porque meus autores favoritos são muito diferentes. Meu livro e autor favorito são García Márquez e Cem Anos de Solidão. Gosto muito dele e de outros autores do realismo fantástico, especialmente do goiano José J. Veiga. Embora eles me inspirem bastante, acho que quem me influenciou mais na escrita foram Rubem Fonseca, Luiz Ruffato e Marçal Aquino. Amo o estilo rápido, visceral e urbano dos três e acho que, por isso, pendo mais para um jeito de escrever mais focado em ação e menos introspectivo.

E o que te fez começar a escrever? Como você se tornou um escritor?

Acho que, assim como muitos jovens escritores da minha geração, a culpa é de Harry Potter. Li A Pedra Filosofal com oito anos de idade e aquilo me botou no chão. Até então eu não sabia que livros podiam ser assim, que podiam ser divertidos, e aquela primeira leitura abriu portas para O Hobbit, Dragões do Crepúsculo de Outono, Artemis Fowl e outros tantos títulos infanto-juvenis. Ainda com oito anos já comecei a escrever. Coisas horríveis inspiradas em desenhos na televisão, mas o impacto foi grande assim: logo que terminei o primeiro Harry Potter, meu sonho virou me tornar um escritor, inventar histórias e botá-las no papel.

Existe alguma novidade sua para sair em breve? Sinta-se à vontade para divulgar seu trabalho.

Se tudo der certo, sim. No momento, eu finalizei meu primeiro romance e comecei o árduo trabalho de tentar aprová-lo em uma agência literária. Ele inclusive está sendo avaliado agora. Além disso, outros três contos meus estão sendo avaliados por um edital para sair em um antologia de autores locais aqui na cidade. Recentemente, dois contos meus foram publicados na coleção As Dores de Josefa, que pode ser adquirido no site da editora Nega Lilu (negalilu.com.br/produto/as-dores-de-josefa/).

Para quem quiser entrar em contato ou te acompanhar pelos tubos da internet, quais são os caminhos?

Eu tenho um blog mais ou menos abandonado atualmente por causa da correria do mestrado que é onde eu costumo testar algumas coisas. Por lá, quem tiver curiosidade, irá encontrar alguns contos no mesmo cenário que o de Cybelle, além de outros em cenário de ficção-científica e crônicas, basta acessar joseabrao.com. Além disso, eu também posto algumas bobagens no Instagram e no Twitter, basta procurar por @zehabrao.

Enrico Tuosto
Enrico Tuosto
Enrico Tuosto é escritor, revisor da Trasgo e rockstar fracassado. Também cuida das redes sociais e da newsletter da revista, mas o que ele gosta mesmo de fazer é jogar RPG. enricotuosto.tumblr.com/writing

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