Entrevista: Júlia da Silva

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juliaJúlia da Silva é aspirante a escritora, amante de piadas toscas e mãe de um lindo gato tuxedo chamado Alfred. Estando no sexto semestre do curso de bacharelado em Letras da UFRGS, pode constantemente ser encontrada dormindo no transporte público, resmungando no Twitter e emboscando a geladeira de madrugada atrás de nescau e cookies. Além disso, tem como passatempo escrever roleplays, cozinhar, ficar de pijama o dia inteiro e assistir vídeos de fails no Youtube.

"Vozes no silêncio" é um dos contos da Trasgo que mais gostei de ler (e revisar). O que te inspirou a escrevê-lo? De onde surgiu a ideia?

Acho que a maior inspiração foi uma conversa com uma amiga, que me disse pra assistir Pacific Rim – ela comentou algumas coisas e eu fiquei interessada. Então no lugar de ir direto ver o filme, eu abri um documento e comecei a escrever. A ideia foi surgindo enquanto escrevia. Eram três horas da manhã e eu queria falar sobre dois meninos no espaço, estrelas e silêncio. Gostei muito do resultado.

São apresentadas diversas camadas da relação desenvolvida entre os personagens da história, mas isso é feito de forma sutil na escrita – uma boa mistura de ação, diálogo e descrição. Como foi o processo de escrita deste conto?

Foi um processo surpreendentemente linear (pra mim). Eu fui escrevendo e colocando no papel o que eu estava pensando, o que resultou em uma primeira versão extremamente descritiva. Então eu fui cortando algumas descrições, cenas, pedaços de diálogos. O que mais me deu trabalho nesse conto foi decidir que nomes dar aos protagonistas, na verdade. Eles trocaram de nome mais de quatro vezes.

Contos curtos exigem rapidez no desenvolvimento da trama para entregar o que a história promete. Você fez isso muito bem em "Vozes no silêncio", balanceando a agilidade do texto com a ambientação dele – é uma história curta, mas não rasa. Como é administrar a velocidade em que o conflito se desenvolve numa história assim?

Muito obrigada!! Acho que isso é algo que varia bastante de conto pra conto. Em “Vozes no silêncio”, primeiro eu escrevi tudo que consegui imaginar pra história que eu queria contar e, depois, fui tirando as partes que me pareciam desnecessárias e arrastavam a narrativa com descrições exageradas. Fazer uma primeira revisão do texto e depois mostrar ele pra algum amigo próximo são duas coisas que não abro mão. E, quando possível, deixar o texto parado um ou dois dias antes de revisar é ainda melhor – geralmente quando a gente escreve, entra demais pra dentro da história e fica difícil ver com clareza o que foi colocado no papel e o que a gente acha que colocou, mas ainda só está na nossa cabeça. Se afastar um pouco do texto, deixar ele de molho um pouquinho, pra então reler e revisar é uma boa: a gente descansa do texto e, vendo ele de novo, consegue ver erros que poderia não ver antes.

Como é seu processo criativo? De onde as ideias costumam vir e como elas terminam no papel?

Confesso que algumas vezes nem eu entendo o meu processo criativo. Já tive ideias pra sci-fis distópicos com espiões, ambição e mentiras gigantes assistindo Universidade Monstro, por exemplo. Então é sempre uma aventura quando estou pensando em novas ideias – as melhores surgem quando eu menos espero. Eu compartilho elas com alguns amigos, faço anotações e rabiscos e, recentemente, monto um esqueleto do que eu quero escrever. Ajuda bastante.

Quais são suas referências literárias (e não literárias também, se tiver algo que queira mencionar)?

No momento, as minhas maiores referências literárias estão sendo O conto da Aia (Margaret Atwood), O apanhador no campo de centeio (J. D. Salinger), Nobody is ever missing (Catherine Lacey), Coraline (Neil Gaiman) e Submarino (Joe Dunthorne). Eu estou apaixonada por esses livros e poderia falar deles por horas. Além desses, eu gosto muito das obras do Douglas Adams, Oscar Wilde, Lovecraft, Julio Verne e Machado de Assis.
Outras coisas que me inspiram bastante na hora de escrever são os jogos indie OFF! E Undertale. Sem falar no meu desenho favorito, Steven Universe.

O que os leitores podem esperar de você no futuro? Está trabalhando em algum novo texto ou projeto?

No momento, eu estou escrevendo um continho ambientado num pós-apocalipse zumbi pra me desafiar a tentar fugir de alguns clichês que me incomodam um pouco (de onde sai tanta munição? Por que ninguém nunca vai no banheiro? Etc), mas já tem algum tempo que eu estou mastigando alguns projetos um pouco maiores, como a história de um rapaz que nasceu em uma Terra colonizada por alienígenas e a de uma moça que encontra um gênio em uma lâmpada.

Onde podemos encontrar mais sobre seu trabalho?

Infelizmente o único espaço que eu tenho pra abrigar a minha escrita é um blog (juswriting.tumblr.com) onde eu posto algumas fanfics e textinhos pequenos, volta e meia em inglês.

Saideira: se você precisasse dividir espaço com alguém numa nave solitária no espaço para sempre, quais características você gostaria que essa pessoa tivesse?

Essa pessoa precisaria ter senso de humor. Um parecido com o meu, de preferência. Porque do contrário, com quem eu iria dividir trocadilhos e piadinhas bestas?! Seria ótimo se essa pessoa tivesse uma visão mais ou menos positiva das coisas, também, pra balançar com o meu negativismo. Gosto por inventar histórias e fazer barulhos aleatórios quando entediado seria um bônus. Paixão por gatos e pessoas 2D, por favor.

Enrico Tuosto
Enrico Tuosto
Enrico Tuosto é escritor, revisor da Trasgo e rockstar fracassado. Também cuida das redes sociais e da newsletter da revista, mas o que ele gosta mesmo de fazer é jogar RPG. enricotuosto.tumblr.com/writing

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