Entrevista: Karl Felippe

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foto_karlKarl Felippe é um artista não tão plástico e mais biodegradável. Ele conversa exclusivamente via verbetes de enciclopédia e filtra informações através de uma grade de referência formada por ficção e histórias de gente que já morreu. Quando não está trabalhando em seus desenhos, esculturas, escondendo o que escreve, ou tendo colapsos nervosos, ele basicamente não existe, e sua própria existência quando está fazendo tais coisas é duvidosa. Recomenda-se por razões de segurança que ele não seja alimentado após a meia-noite.

Como é transformar em imagens o que o Enéias cria com palavras?

É extremamente divertido, na verdade. O texto ajuda muito na criação. A verdade é que não há muito esforço em visualizar as histórias. Mesmo se minucias visuais especificas de uma determinada cena não são dadas, o texto dele é tão rico em impressões e sensações, que a ideia geral da imagem se forma imediatamente ao ler. Isso também é positivo não somente pelo texto não ser cansativo (com listas enumerando e descrevendo excessivamente cada mínimo ponto), mas também porque me dá a oportunidade de criar pequenos detalhes no visual no universo retratado. Coisas recorrentes e elementos com uma logica interna, que provavelmente devem passar desapercebidos, mas que ajudam a ilustrar a atmosfera estabelecida pelo texto. Também é ótimo que o Enéias está sempre aberto a essas pequenas inserções.

O que mais te atrai na ilustração de um universo steampunk?

Acho que… criar algo que pareça velho e novo ao mesmo tempo.

Não que eu desgoste de estilos modernos em ilustrações steampunk, é claro. Eu gosto. Mas existe algo muito atrativo em cruzar um tipo de ilustração que seria feito no passado (como as de Sidney Paget nas histórias de Sherlock Holmes, por exemplo), com algo ligeiramente mais contemporâneo, como a liberdade de estilização presente em histórias em quadrinhos. Pesquisar roupas de época, móveis antigos, e pedaços de tecnologia clássica (para misturá-los de um jeito que junte a verossimilhança com o passado e a estranheza de um passado que nunca existiu), também é certamente outro ponto atrativo.

Quais artistas mais te influenciam?

Existem aqueles artistas que eu me mordo de inveja por não desenhar como eles, isso conta? (risos). Artistas como o Kevin O’Neill, ou o Guy Davis, Bill Sienkiewicz, Bret Blevins, ou o Raul Pederneiras, o K. Lixto, e o J. Carlos.

Quais são suas principais fontes de inspiração e como funciona seu processo criativo?

Tirando olhar a arte dos artistas citados acima e me sentir o Salieri para o Mozart deles, você quer dizer?

Bem, depende bastante do que estou ilustrando, e da impressão que estou tentando passar com o desenho. Geralmente quando me decido no que vai ser, a imagem mental já vem quase completa. Eu tento definir a parte principal do desenho primeiro (se o foco forem figuras humanas, vai ser isso), e o que vem a seguir é detalhar o restante, o plano de fundo, os "elementos de cena", pro assim dizer. Isso me dá liberdade de improvisar um pouco também (mesmo assim eu costumo procurar referências para todos os elementos que quero incluir no desenho e misturar as versões que escolhi para que o resultado final seja algo diferente). Isso tudo é geralmente feito enquanto escuto audiodramas.

Para quem se interessou pelo seu trabalho, onde podemos encontrar mais sobre você e entrar em contato? E sinta-se livre para deixar uma mensagem aos nossos leitores sobre qualquer novidade na qual você esteja trabalhando.

Como o, muito mais profissional, portfólio online, ainda não está terminado e… bem, online, já que isso depende de minhas (parcas) habilidades como webdesigner, existe a galeria do deviantart que uso para ir armazenando o que faço em waywardchangeling.deviantart.com e o contato pode ser feito através do e-mail karl@steampunk.com.br

Bem, eu estou ilustrando os contos do universo de Brasiliana Steampunk que estão sendo publicados na Amazon pelo Enéias. Dois já estão disponíveis e tem mais por vir. Existem outros dois projetos, com o Enéias, mas eu não sei o quanto eu posso dizer sobre eles ainda.

Eu também estou trabalhando em outro projeto, esse pessoal, que envolve uma narrativa de estilo similar a um folhetim de aventuras ilustrado, cheio de notas de rodapés e referências a acontecimentos reais que soam mais como ficção, e com propagandas se misturando a narrativa. As histórias tem como protagonista uma figura histórica brasileira que tem sido minha favorita há anos, e que soa igualmente fictícia, apesar de não ser. É um projeto que está 50% pronto. Descobrir o que fazer com ele quando estiver 100% pronto é a unica coisa que ainda me falta averiguar.

Enrico Tuosto
Enrico Tuosto
Enrico Tuosto é escritor, revisor da Trasgo e rockstar fracassado. Também cuida das redes sociais e da newsletter da revista, mas o que ele gosta mesmo de fazer é jogar RPG. enricotuosto.tumblr.com/writing

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