Entrevista: Maira M. Moura

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Maira M. Moura, ou Maira Moura, é carioca da zona oeste. Tem um livro de contos publicado em 2015, "O jardim animado", pela editora Multifoco. Contribui, sempre com contos, para periódicos de literatura, como a revista Subversa, Diversos Afins e Raimundo, além de participar de eventos. Estudou Letras na UFRJ, onde se graduou em Literaturas de língua portuguesa. Trabalha como tradutora e professora.

Seu conto "A Morte de Afrodite" é uma mistura de ficção científica e fantasia que poderia ser descrito como weird fiction. Como foi o desenvolvimento dessa história?

A princípio, tive a ideia de escrever sobre os deuses que não existem mais no nosso mundo, a não ser na memória. Para onde eles foram? Essa não é uma pergunta nova, e eu fui definitivamente influenciada pela leitura de Sandman. Na minha história, o panteão grego abandonou a terra e iniciou uma nova civilização em outro planeta. Agora, uma deusa fundamental (pelo menos para a humanidade) não persiste nessa nova civilização. Não me perguntem de onde a morte de Afrodite surgiu como ideia, eu não me lembro. Só lembro de me divertir com a ideia de acabar com o amor sexual. Se não existe amor e sexo, para quê dois gêneros? Assim ficaram só as mulheres. E se são apenas mulheres, como elas procriam? Ora, a deusa do amor está morta, mas o da fertilidade não, e entra Príapo, e a história cresce. Matar a relação homem-mulher e criar uma sociedade de mulheres foi o mais divertido. O mais sério foi imaginar a relação entre os astronautas e as nativas e o mais simples foi criar uma narradora que, apesar de não conhecer o amor conjugal, o sente assim mesmo.

Quais são os autores que você considera suas maiores influências?

O vivo é Neil Gaiman e o morto é Robert W. Chambers. Também adoro (e me identifico) com a narrativa da Kelly Link. Tem outros que sempre me inspiram: E.T.A. Hoffmann, Diana Wynne Jones, Edgar Allan Poe, Saramago.

Como você se envolveu com escrita?

A resposta é rápida: a partir da leitura. Não diria apenas dos livros – os filmes e os desenhos animados, ou qualquer forma que as boas histórias tenham assumido para chegar a mim, sempre me cativaram. Conhecer histórias me levou a criar histórias. Agora, a escrita: talvez por ser tímida, ou pela facilidade de ter um lápis e papel, eu tenha escolhido escrever quando era mais nova. Não parei desde então (ainda bem que comecei o quanto antes!)

Você tem um livro chamado "O Jardim Animado". Nos conte um pouco sobre essa obra e como foi o processo de criação e publicação dela.

“O Jardim Animado” reúne contos estranhos e fantásticos que eu escrevi por um tempo. Alguns acham que é literatura infantil, mas o “animado” quer dizer “vivo”. Outros acham violento, e eu não tenho desculpa para isso. “A morte de Afrodite” é um dos contos do livro e é um exemplo do tipo de violência literária que tem nele. Outras coisas que têm no livro: gatos, caligrafia, fim do mundo, bruxas no mercado, tradutores russos, cirurgia plástica alienígena, etc.

Como começou: uma coisa que eu decidi fazer quando era criança foi escrever um livro. Naquela época, eu não imaginava que seria uma antologia de contos, mas por algum motivo (talvez a velocidade de informação do nosso tempo), me senti confortável escrevendo história curtas. Foi nos últimos anos da faculdade que eu me dediquei melhor e depois de uma seleção, muita edição e a escolha de um título (que coisa difícil, hein) decidi publicar os contos em livro. Eu sei que muita gente rala para achar uma editora, é um dos grandes tópicos, nos últimos anos, entre os escritores novatos, mas a notícia boa é que nunca foi tão fácil publicar (se você está disposto a pagar). Felizmente eu não ralei muito: um amigo escritor me sugeriu a Multifoco, por onde ele já havia publicado alguns livros. Gostei da flexibilidade editorial e formato do negócio e considero a casa uma boa opção para livros de estreia.

Você está trabalhando em algum projeto sobre o qual possa nos contar algo?

Não gosto mesmo de contar antes.

Onde nossos leitores podem saber mais sobre você e seus trabalhos?

Quem quiser saber mais sobre o que ando fazendo tá convidado para curtir a página Maira M. Moura no Facebook (fb.com/Mairammoura). Quem tem Goodreads ou Skoob pode saber mais (ou até “querer ler”) o meu livro “O jardim animado”, aqui goodreads.com/book/show/25867025-o-jardim-animado e skoob.com.br/livro/514569. Ou pode comprar na Livraria da Travessa (pelo site travessa.com.br) ou pela própria Multifoco (editoramultifoco.com.br/loja/product/o-jardim-animado). Ó, ainda dá pra ler contos meus nas revistas em que já publiquei até agora (a maioria é online!), é só checar nos posts da minha página.

Lucas Ferraz
Lucas Ferraz
Lucas Ferraz é um Consutor de TI que se meteu a escrever e não parou mais. Participa dos podcasts CabulosoCast e Papo Lendário, sobre literatura e mitologia respectivamente. Escreve crônicas e edita os contos do Leitor Cabuloso e participa da Trasgo como revisor lucasferraz.com | @ferraz_lucas

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