Entrevista: Marco Rigobelli

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foto_marcorigNascido há 27 anos na capital paulistana, Marco Rigobelli já desenhou, já teve banda e no fim não continuou com nenhuma dessas coisas. Mentiroso profissional, escreve para o papel, para as telas, para os palcos e para as caixas de som. Gosta de contar histórias e de falar sobre contar histórias.

Há algumas interpretações possíveis para “Chamado à Razão” e sua estrutura cíclica, que vai desmontando a realidade camada por camada até o final. Mas qual foi a origem do conto, a fagulha inicial?

Eu precisava contar a história de uma criança, em uma época bem diferente da nossa, despertando Cthulhu por acidente. As camadas foram aparecendo à medida que eu ia escrevendo o primeiro rascunho e continuou nas revisões.

Então não foi uma fagulha, mas uma série delas. Porque primeiro pensei que poderia ser uma alucinação, então pensei que seria legal se essa alucinação tivesse um quê dos contos de cavalaria, porque provavelmente era uma coisa que o protagonista ouvia com frequência e provavelmente era para lá que sua mente fugiria. Pegaria retalhos da realidade e os enfeitaria para fugir do que aconteceu; sem de fato conseguir escapar.

“Chamado à Razão” tem uma clara influência de H. P. Lovecraft. Como esse autor, e outros, influenciam o seu trabalho? Quais são seus favoritos?

O próprio Lovecraft nunca foi uma influência direta, acho que fui mais influenciado pelo horror cósmico que ele criou e a cultura que se gerou em torno disso. Acho ele um escritor bastante instável, com obras incríveis como A cor que veio do espaço e outras nem tanto.

As influências funcionam de várias formas. Assim como no conto Lovecraft pesou pela temática, a minha escrita é sempre assombrada por quem costumo ler, como Borges, Érico Veríssimo, Ítalo Calvino, Ursula Le Guin, Hemingway, Flaubert. Quando você escreve, é inevitável acabar costurando e procurando encaixes em características de autoras e autores diferentes que leu durante a vida. Principalmente quando se propõe a experimentar não só com gêneros, mas também com a linguagem.

Quanto aos favoritos, me proponho a sempre ter como favoritos pessoas que ainda estão vivas e podem me surpreender ou produzir coisas novas. Atualmente são China Miéville e Luisa Geisler.

Como é o seu processo de escrita?

Ele varia de acordo com a origem da ideia. Às vezes tenho só um título, outras uma cena, outras tenho um tema pra trabalhar e preciso me virar pra tirar alguma coisa daí. Mas normalmente começa com um argumento breve da história, que serve como base para que eu possa saber o quanto vou (ou mesmo se vou) precisar pesquisar, então trabalhar o primeiro rascunho, fazer quantas revisões forem necessárias, mandar para um grupo de leitores beta que reuni pra irem lendo meus textos à medida em que vou produzindo e assim sempre escuto opiniões externas diversas para entender no que estou acertando e errando.

Você, além de escrever, organizou a coletânea sobre Futebol da Draco. Qual as diferenças e semelhanças entre esses dois trabalhos?

Não vejo muitas semelhanças, porque, embora os dois sejam trabalhos criativos, eles funcionam de maneira bem diferente: um processo é bem mais mecânico e colaborativo do que o outro. Talvez a única [semelhança] seja que ambos funcionam com negociações. Enquanto escrevendo você negocia consigo mesmo, com o narrador, com os personagens, com as ideias, com o texto e etc; organizando uma coletânea você negocia com os autores e com o próprio tema sobre as liberdades que se pode tomar sem, no entanto, fugir da proposta.

Em que tem trabalhado ou para sair que pode nos adiantar?

Atualmente estou com meu primeiro romance, chamado “Homo Solaris“, entre revisões. Optei pelo processo paciente, então ainda não sei quando o livro estará pronto para começar a pensar em quais serão os passos para publicação. Recentemente terminei de escrever o texto para uma peça de teatro chamada “A vida segundo a Morte” que está naquele limbo chato de tentar viabilizar a produção.

Para quem gostou do seu trabalho e quer conhecer mais, quais os endereços?

Tenho textos que vão de ficção à reportagens, passando por resenhas, no medium.com/@marcorigobelli. Tenho também uma newsletter semanal chamada Scripta Manent (tinyletter.com/scriptamanent) onde escrevo sobre processo criativo, escrita e as mazelas da vida. E os contos publicados estão no site da Draco (editoradraco.com/?s=marco+rigobelli) e nas principais livrarias físicas e digitais.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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