Entrevista: Nuno Viegas

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Nuno Viegas é um estudante de nível secundário, natural de Santa Maria no arquipélago dos Açores. Com uma paixão pela escrita desde criança e pela ficção científica e fantasia desde a juventude, aliada a uma paixão pelo mar através da pesca, mergulho e vela ligeira de competição. Procura seguir a área da Física a nível universitário.

Qual foi a inspiração, de onde surgiu “Os Mercadores de Gullian”?

Os Mercadores de Gullian surge de um interesse meu pela possibilidade da existência de Inteligências Artificiais, e em que forma. Originalmente intitulava-se “Alpha” e debruçava-se sobre a guerra entre os planetas, só mais tarde e após múltiplas revisões surgiu o drama político-económico que dá o espírito ao conto, e ainda mais tarde surgem os pilares do final do conto.

Acabei por adquirir a inspiração ao longo da escrita, penso que o grande promotor da mudança de espírito terá sido The Forever War de Joe Haldeman, que estava a ler na altura, e que mantenho tratar-se de um dos melhores romances de guerra alguma vez escritos.

Tenho que referir também 2001: A Space Odissey, pelo grandioso Arthur C. Clarke, uma obra prima que nos oferece Hall 9000, a mais marcante IA da história da Ficção Científica, e que certamente influenciou o espírito do Alpha.

O conto tem um ar meio space-opera, mais voltado às relações políticas e comerciais entre os mundos. Quais são suas referências, autores e livros favoritos a respeito?

Dentro desse espírito focado nas relações político-económicas tenho de destacar The Space Merchants por Frederik Pohl e Cyril M. Kornbluth, uma brilhante crítica ao capitalismo que se mantém incrivelmente relevante atualmente, tive a oportunidade de ler a obra há alguns anos, recomendo-a vivamente (bem como a sequela The Merchants’ War, francamente inferior).

Do Androids Dream of Electric Sheep? pelo mestre Philip K. Dick continua infelizmente na prateleira, muito por falta de tempo, mas Bladde Runner influenciou largamente o drama político.

E finalmente, o trabalho do jovem George R. R. Martin, com os contos de SF que formariam o universo de “The Thousand Worlds”, levaram muito a esse sentimento de space-opera.

Uma das questões-chave no conto é uma lei universal que proíbe de vincular IAs a armamentos e à guerra. O que acha que poderia acontecer no futuro do seu conto, com a evolução do Sistema Pessoal?

Deixo algumas dicas quanto ao futuro do Sistema Pessoal no conto. Sem arruinar demasiado a história, ao oferecer detalhes quanto à natureza dos SP, penso que o futuro dos SP após o ganho de independência do Alpha não é muito positivo. O mais certo será uma redução dos SP a assistentes pessoais, impedido-os de se tornarem verdadeiras IAs. De certa forma, tornar-se-ão aquilo que os militares afirmavam que estas eram desde o início.

Você planeja continuar a escrever uma continuação, ou outros contos no mesmo universo?

Anteriormente, iniciei uma prequela que tratava da criação do Alpha ainda na Velha Terra. Acabei por abandonar o trabalho simplesmente por não me parecer correto.

“Os Mercadores de Gullian” é uma história tão completa como planeio torná-la, considero que os acontecimentos que se seguem são melhores deixados por contar, assim não planeio escrever uma sequela directa.

No entanto nunca me agradou a ideia de abandonar esse universo, apercebi-me que, considerando a vastidão do universo, posso criar histórias completamente distintas em pontos extremamente distantes do universo, mantendo-me na mesma realidade. Essa será certamente uma opção que explorarei no futuro.

Temos alguns leitores de Portugal na Trasgo, e agora um autor! Como é o consumo e escrita de Ficção Científica e Fantasia no país?

Infelizmente, a FC em portugal encontra-se numa letargia imensa, apesar de alguma editoras publicarem FC estrangeira, e raramente portuguesa, o mercado simplesmente não é apelativo. A FC não é mainstream desde a Golden Age, e actualmente, enquanto temos visto uma renovação da Fantasia, a FC simplesmente não vende. Existe uma comunidade fiel e reduzida que sobrevive muito à custa dos clássicos e de obras obscuras, mas falta um público mais largo, e um maior investimento das editoras.

Em termos da escrita, faltam claramente oportunidades para a publicação de contos através de analogias ou revistas, especialmente remuneradas. E as editoras raramente arriscam com a publicação de FC nacional, apesar de publicarem Fantasia de forma relativamente regular.

Infelizmente, reduzirmos-nos ao mercado nacional é de momento expormos-nos a um fim precoce de carreira, exige-se muitas vezes um investimento na tradução para outras línguas na procura de oportunidades de publicação.

O que planeja escrever adiante, em que está trabalhando?

De momento, volto à ficção científica, de uma forma diferente. Estou em fases precoces de um conto que narra a exploração e tentativa de colonização de um planeta povoado por seres inteligentes. Acabei por-me aperceber de um certo paralelismo com a colonização das Américas pelos espanhóis, especialmente por a civilização do planeta colonizado se assemelhar a uma forma alienígena dos nossos Maias.

Para quem se interessou pelo seu trabalho, onde pode conhecer mais? Quais os links?

Podem contactar-me e ter updates no meu trabalho em nunogcviegas.wordpress.com.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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