Entrevista: Paola Siviero

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Paola Siviero nasceu em Belo Horizonte e foi criada em São José dos Campos, no interior de São Paulo. É amante de grandes metrópoles e vilas medievais, de albergues e hotéis cinco estrelas, de pizza e uma boa salada, praia e montanha, sofás confortáveis e trilhas acentuadas, dentre outras deliciosas contradições. Sagitariana, otimista demais, com a cabeça lá no alto – de onde o tombo dói mais. Tem contos publicados nas antologias “Piratas” (Cata-Vento, 2015), Imaginarium (Andross, 2015) e Híbridos (Buriti, 2015).

“Sobre o Ar o Fogo” soa como uma clássica história de amor e guerra, com um pequeno twist. De onde ele surgiu, qual foi a faísca inicial deste conto?

Quando comecei a escrever Sobre o Ar e o Fogo, queria contradições: a delicadeza do ar e a fúria do fogo, a guerra e o amor, um romance homoafetivo em um meio que na superfície rejeita a homossexualidade, que é o exército. O ponto de partida foi exatamente “e se comandantes de exércitos inimigos se apaixonassem?”. A isso se juntou a fantasia e um tema que sempre me encantou em outras histórias: a manipulação dos elementos. Há alguns anos assisti “O último mestre do ar” e simplesmente amei o universo construído.

Batemos um papo no Encontro Irradiativo, e gostei do jeito que o seu conto aborda a temática homosexual com naturalidade sem levantar bandeiras pretensiosas. Como foi a construção dos dois personagens principais?

Pessoas não se resumem à sua orientação sexual e acho que muitas histórias pecam por querer colocar os holofotes nisso ao invés de deixar a história fluir. Eu queria construir personagens reais, humanos, e tocar as pessoas sem que a orientação sexual importasse. É uma história de amor e de guerra, ponto. Obviamente, é importante existir um cuidado na hora de escrever personagens diferentes de você, e um grande amigo me ajudou a revisar as cenas e garantir que eu não caísse na cilada dos estereótipos.

Achei curioso você ter me enviado um e-mail antes do conto, perguntando se a Trasgo aceitava contos de temática homoafetiva. Na sua opinião, você acha que os espaços por aí estão pouco receptivos ao assunto?

Acho que existe cada vez mais espaço e começo a ver obras abordando o assunto de forma menos dramática e estereotipada — e um excelente exemplo disso é a série Instrumentos Mortais, da Cassandra Claire. Mas apesar de haver mais abertura, tanto por parte dos leitores quanto dos editores, ainda há barreiras enormes. Homofobia é recorrente na vida real e o quadro se repete na ficção: muitos ainda se ofendem ao se deparar com um caso de amor homoafetivo em um livro, filme, televisão ou mesmo comerciais. Ainda não chegamos lá, mas tenho esperanças de que daqui para frente mais e mais portas vão se abrir.

“Engenheira de alimentos por formação, marqueteira por usufruto e escritora por teimosia.” Então, como começou a última parte, a de escrever?

Em 2014 me mudei de país com meu marido e fiquei um tempo sem poder “trabalhar”. Foi uma quebra da minha rotina (e de muitos dos meus paradigmas), um momento para refletir e me dedicar a qualquer coisa que quisesse. Eu escrevia letras de música e poemas quando era adolescente, e então resolvi tentar escrever o que eu mais gostava de ler: fantasia. Hoje parar não é mais uma opção: voltei a trabalhar de carteira assinada, mas levo a escrita com seriedade, numa jornada dupla de trabalho

Como é o seu processo criativo?

Primeiro, acho que criar é um exercício e que depende de esforço, não apenas de inspiração. O início de uma história talvez necessite de uma faísca, de um elemento que te faça querer muito seguir adiante, mas depois é necessário resiliência e horas de cadeira.

Sempre que uma faísca surge, eu primeiro alimento a ideia: penso no universo, nos personagens, em alguma situação que seja o pontapé inicial. Depois disso escrevo uma cena ou anoto os pontos principais. Mas dificilmente decido o final no início, prefiro descobrir a história conforme ela avança, transformar o processo de escrita em algo parecido com o que vivo quando leio um livro.

Quais são os seus assuntos favoritos dentro da literatura? E já que estamos nesse assunto, cite também escritores e obras favoritas.

Me considero bastante eclética, mas amo fantasia. Comecei no gênero com “As brumas de Avalon”, da Marion Zimmer Bradley, então tenho um carinho bastante especial pela obra. “O dia do Coringa”, do Jostein Gaarder, também foi um livro que me marcou muito. Mas se for escolher uma favorita entre muitas, vai ser sempre “Harry Potter”. A Rowling foi genial em muitos sentidos, e não importa que idade eu tenha, nunca vou me esquecer de como me sentia lendo a série pela primeira vez.

Você começou a publicar recentemente, com contos pela Cata-Vento, Andross e Buriti. Pode contar um pouco sobre algumas de suas outras obras?

Escrever contos me ajudou em muitos sentidos, e um deles foi abrindo portas. Meu primeiro trabalho publicado foi o conto “Vingadora”, na coletânea Piratas da Cata-Vento, uma história sobre assassinato e justiça. Na coletânea Imaginarium, da Andross, publiquei o conto “O primeiro guerreiro”, que narra uma das lendas presentes na primeira obra que terminei (que ainda não está publicada), num ambiente medieval de alta fantasia. E pela Buriti, tenho o conto “Novas Asas”, na coletânea Híbridos, e “Moeda de Sangue”, na Garotas & Armas que está para sair. Esse último é uma ficção científica.

E para o futuro? O que está escrevendo, trabalhando ou planejando que pode nos adiantar?

Estou atualmente trabalhando em uma fantasia ambientada no agreste da década de 60. É uma revisão de clássicos da literatura fantástica — vampiros, sereias, múmias, demônios — com toques regionais e cômicos. Ao mesmo tempo que me divirto muito, levo super a sério para tentar fazer algo que tenha valor comercial. Tenho outros dois projetos de ficção científica — um sobre imortalidade e outro sobre uma nova doença — e mais alguns de fantasia ainda que estão muito no início.

Quem gostou do seu conto, onde pode encontrar mais informações sobre você e suas obras?

Tenho contos em antologias da Cata-Vento, Buriti e Andross. E estou sempre no face, fiquem à vontade para me procurar e trocar figurinhas: fb.com/paola.l.siviero. :)

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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