Entrevista: Priscilla Matsumoto

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Priscilla Matsumoto é formada em Produção Cultural pela UFF e em Roteiro pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Largou a faculdade de moda, mas se divide entre a costura e a escrita. Seu primeiro romance “Conto Noturno da Princesa Borboleta” foi finalista do Prêmio SESC de Literatura 2011/2012. Em 2015, seu livro “Ball Jointed Alice – Uma História de Amor e Morte” foi lançado pela Editora Draco.

"Senhoras idosas que puxam assunto no meio da rua" é um conto urbano com o final surpreendente. O que veio primeiro à sua mente, o começo ou o fim? Qual foi a principal inspiração?

Dona Fátima já tinha aparecido em um conto meu chamado "Bem longe de casa", publicado no meu blog. Foi uma personagem que me marcou muito, achei que ela merecia algo além de um continho de três páginas. Então, acho que tudo começou com Dona Fátima, a senhorinha alienígena. Aproveitei para desenvolver também João, o cuidador, que era o protagonista de "Bem longe de casa". Adoro repetir personagens, mas mudando pontos de vista e cenários. Na minha literatura, é muito frequente o protagonista de uma obra aparecer em outra como coadjuvante ou só dar uma pinta como "participação especial", da mesma forma que no multiverso criado pelas mangakás do grupo CLAMP. Determinada série de ficção científica pela qual estava obcecada na época em que escrevi "Senhoras idosas" também me inspirou muito, mas não vou dizer o nome porque pode ser spoiler do conto.

Você tem uma produção relativamente grande, como é o seu processo criativo?

Começo com uma música. Ou uma pessoa. Ou um pequeno sentimento que não me abandona. E esse fragmento de inspiração vai puxando a história. Geralmente, antes de me sentar para escrever, preciso ter os pontos principais da trama na minha cabeça. Mas isso não é uma regra. Às vezes começo a escrever usando um desses elementos que mencionei acima, num impulso, e uma coisa vai puxando a outra ali mesmo, na página. De uma forma ou de outra, preciso de um impulso, algo belo ou perturbador (de preferência, belo E perturbador) o suficiente para engasgar na minha garganta, para provocar o desconforto necessário à escrita.

E quanto às referências, quais são seus autores favoritos e inspirações?

A literatura asiática, especialmente a japonesa, é uma grande fonte de inspiração para mim. Posso citar autores como: Haruki Murakami, Yukio Mishima, Yasunari Kawabata, Banana Yoshimoto, o já mencionado grupo CLAMP… Minha outra paixão é o realismo mágico latino-americano, de Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e, mais recentemente, Samanta Schweblin. Albert Camus e Anne Rice (junto com o Murakami) foram os autores que me fizeram querer ser escritora. E Hermann Hesse é uma divindade.

Você lançou um livro de contos recentemente, pode contar um pouco sobre ele?

É meu primeiro livro de contos, chama-se "Às vezes eu ouço minha voz em silêncio". As histórias flertam com o realismo fantástico e todas têm mulheres como personagens centrais. Sempre fui uma pessoa muito fechada e a literatura me deu voz. Foi minha maneira de lutar contra meu próprio silêncio (e o do mundo). Antes de mergulhar nesse projeto, notei que tinha mais facilidade em escrever protagonistas homens, o que, de certa forma, não deixava de ser uma máscara. Não digo que para toda escritora seja assim, mas para mim era um pouco. Por isso, resolvi aceitar meu próprio desafio e "vestir" todas essas mulheres, encarando suas realidades de peito aberto. O resultado foi um dos trabalhos dos quais mais me orgulho.

Em que mais você tem trabalhado, quais os planos futuros que pode nos adiantar?

Tenho trabalhado no meu terceiro romance, intitulado "O infinito no meio". Na verdade, está quase pronto. Espero publicá-lo o mais rápido possível, porque é um dos meus trabalhos mais ousados, o que me enche de ansiedade quanto ao feedback dos leitores. Fora isso, pretendo aumentar significativamente minha produção de contos, linguagem que me fascina cada dia mais.

Há algo mais que gostaria de compartilhar com os leitores da Trasgo?

Sim. Queria convidá-los a ler meu romance "Ball Jointed Alice – Uma história de amor e morte", publicado recentemente pela Editora Draco. Se curtem literatura fantástica, urbana, carregada de insanidade, sexo e planos de vingança, vão gostar do meu livro. :)

Para quem gostou da sua escrita, onde podemos encontrar mais material seu?

Tenho um blog (aladablog.wordpress.com/) cheio de conteúdo gratuito, diversos contos publicados na Amazon, um romance pela Editora Multifoco ("Conto noturno da Princesa Borboleta"), outro pela Editora Draco ("Ball Jointed Alice") e o já citado livro de contos ("Às vezes eu ouço minha voz em silêncio"). Quem se interessar, pode seguir minha página no Facebook para informações de como adquirir meus livros e outras novidades sobre minha produção literária: fb.com/aladablog/

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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