Entrevista: Sandro G. Moura

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Nascido no princípio da década de 80 em uma família circense, Sandro G. Moura cresceu tendo contato com arte. Cursou comunicação social, fez projetos culturais no circo, trabalhou como palhaço e em 2014 iniciou a carreira de escritor. Publicou em antologias e faz parte do coletivo literário Zinescritos.

“Cápsula de Liberdade” se passa num universo de FC bem rico, apesar do conto não se preocupar em contar a história desse universo. Como foi a criação deste cenário?

Foi algo que surgiu naturalmente junto com a história. Na minha trajetória de escritor, passei muito tempo perdido, sem ter um estilo ou linha de trabalho. Em “Cápsula de Liberdade” sinto que me encontrei com a narrativa de primeira pessoa que foca mais na rotina e vivencia do narrador. Explorar mais o cenário é algo que preciso aprimorar na minha escrita.

O cenário surgiu para sustentar a ideia principal, como a clonagem humana pode vir a ser explorada no futuro e a consequência para os clones, busquei um estilo que FC que se enquadrasse melhor ao tema e o Cyberpunk serviu muito bem. Algumas das inúmeras características deste subgênero são os conflitos sociais e a desigualdade econômica, algo bem presente na São Paulo de 2017. Então optei por inserir os clones neste contexto de uma São Paulo futurista onde eles não têm direitos básicos nem cidadania, sendo todos propriedades do laboratório GenInova.

O que vem antes para você: personagem ou enredo?

Geralmente crio primeiro o enredo, quando defino bem a tipo de história que quero contar, procuro desenvolver um personagem que irá explorar de melhor forma a história. Foi o caso da Safira, precisava de uma personagem de atitude e que estivesse disposta a lutar, ao invés de esperar os inimigos irem atrás dela.

Histórias com muitos personagens acabam transformando-os em cenário. Este não é o caso de Cápsula de Liberdade, e um dos motivos é a forma como você nomeou os personagens, que acaba definindo a personalidade de cada um. Como foi trabalhar no desenvolvimento de personagens em Cápsula de Liberdade?

Foi bem divertido e estimulante construir a Família, eu não queria desenvolver apenas uma gangue de um universo Cyberpunk e sim que houvesse entre os personagens um vínculo afetivo.

Na história, os clones não tem uma estrutura familiar. Ao fugir, a Família precisou se unir para sobreviver, mesmo que nem todos gostem uns dos outros. Por mais que Safira, com toda a sua força, se isole dos demais, ela precisava de alguém mais próximo que a console nos momentos difíceis, daí a importância de Fortaleza para ela.

Os demais membros da Família têm suas tarefas para manter a todos protegidos, utilizei um pouco da personalidade de cada um para nomeá-los. Carlota é uma mulher soberba e cheia de si, Onça é tão feroz e explosiva quanto Safira. Com isso tentei trazer uma forma mais lúdica de apresentar os personagens.

Quais são suas influências literárias? Ou melhor: quem te inspirou a começar a escrever?

Eu sempre quis contar histórias, sou, desde a adolescência, apaixonado por criação. Minhas principais inspirações são Maurício de Souza, Benard Cornwell, Douglas Adams, Alan Moore, Stan Lee, Christopher Nolan.

No que você tem trabalhado ultimamente? Nos conte onde podemos acompanhar o seu trabalho pela web.

Estou trabalhando no projeto para iniciar o romance do cenário em de Capsula de Liberdade, também estou no início do planejamento do Zinescritos para 2018, além de muitos projetos culturais que estou escrevendo. É possível me acompanhar e entrar comigo pelo meu wordpress tiozinhonerd.wordpress.com, meu twitter @mouraescritor e fanpage fb.com/mouraescritor

Algo mais que queira compartilhar com os leitores da Trasgo?

Estou iniciando uma mediação cultural que pretende ampliar o acesso dos escritores de ficção especulativa aos editais de incentivo a cultura, já que os autores dos gêneros literários da Ficção Científica, Fantasia e Horror dificilmente são contemplados nos editais literários existentes. É uma luta difícil, mas podemos conseguir vencer se houver uma mobilização por parte dos escritores.

Nos dia 11 de outubro de 2017 participei de uma reunião na Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo para debater os editais de Literatura do ProAC (Programa de Ação Cultural) para 2018. Levei a questão da ficção especulativa para entendimento da equipe do ProAC, que está aberta a um dialogo, mas que só poderemos pensar em um edital específico para a ficção especulativa se comprovarmos que temos demanda para tal.

Precisamos nos unir em torno desta causa se quisermos conseguir algum tipo de apoio do poder público. Espero ter a chance de conversar mais sobre isso com todos os escritores de ficção especulativa do país, disseminar esta ideia e quem sabe construir uma cena mais favorável ao crescimento sustentável da literatura nacional como um todo.

Enrico Tuosto
Enrico Tuosto
Enrico Tuosto é escritor, revisor da Trasgo e rockstar fracassado. Também cuida das redes sociais e da newsletter da revista, mas o que ele gosta mesmo de fazer é jogar RPG. enricotuosto.tumblr.com/writing

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