Entrevista: Victor Gerhardt

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Nascido em 1987 em Petrópolis, Rio de Janeiro, Victor Gerhardt se formou em Sistemas de Informação e se mudou para a capital fluminense com 23 anos. Por anos, se dedicou aos finados sites Nerdice.com e Japão Bizarro como editor e colunista. Além disso, foi roteirista do canal de curtas de terror Medologia. Em 2014, fundou, junto com as irmãs, a empresa Calliope Soluções Editoriais, na qual trabalha até hoje como designer, capista e diagramador. Há quatro anos, Victor se mudou para Sorocaba, no interior paulista, por motivos de amor. E é lá que ele vive até hoje, mais feliz do que nunca com sua musa.

Seu conto M.I.A trata de uma inteligência artificial super poderosa em busca de um contato humano diferente. Como surgiu a ideia para essa história?

Eu sou um ávido leitor de ficção científica, e um dos temas que mais me fascina é a inteligência artificial. A ideia surgiu enquanto eu lia um artigo de divulgação científica a respeito dos potenciais perigos que uma I.A. evoluída poderia causar. Então, fiquei pensando se uma mente construída artificialmente também poderia vir a sofrer problemas análogos à mente humana. Ao refletir mais sobre isso, a história central de M.I.A começou a se moldar na minha cabeça.

Me chamou a atenção uma breve passagem que indica que M.I.A se passa num futuro pós-capitalista. Por que essa escolha? Você planeja criar mais material nesse universo?

Eu vejo o capitalismo apenas como um período obrigatório na evolução da civilização humana. Não faço juízo de valores afirmando se esse sistema é bom ou ruim, mas penso que é preciso ter uma visão de mundo muito estreita para achar que o capitalismo é o sistema social definitivo da humanidade.

Em M.I.A, a humanidade conseguiu criar uma inteligência artificial capaz de coisas impressionantes. No meu ponto de vista, é muito difícil pensar que uma civilização capaz de construir uma I.A. tão perfeita não tenha antes abandonado o capitalismo e seguido em frente.

Observando a evolução desenfreada do conhecimento e da tecnologia nos últimos anos, o fim do capitalismo me parece não só natural, mas também inevitável em algum momento do futuro.

Não escrevi M.I.A pensando em continuações ou outras histórias ambientadas no mesmo universo. No entanto, de todos os contos que eu escrevi, este é o que carrega mais possibilidade de se tornar um romance algum dia. Tenho pensado muito sobre isso.

Histórias sobre inteligências artificias povoam a ficção científica desde seus primórdios. Quais são suas maiores influências no gênero?

Eu bebi da fonte de muitos dos meus autores favoritos para construir o conto, como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, William Gibson e Philip K. Dick. Seria injusto não citar também Masamune Shirow e seu mangá Ghost in the Shell como uma forte inspiração. Saindo da literatura e indo para o cinema, posso citar o filme Her, de Spike Jonze. A famigerada série Black Mirror também teve sua parcela de influência.
Não me inspirei em nenhuma obra diretamente, mas, sem dúvidas, não teria sido possível escrever M.I.A sem antes ter enriquecido minha criatividade através desses grandes autores.

Como funciona seu processo criativo?

Durante o meu período escolar, a minha criatividade sempre foi muito elogiada nas aulas de literatura. Esses elogios foram um estímulo e me fizeram ver que, além de levar jeito, eu amava contar histórias. Por causa disso, decidi que em algum momento da minha vida eu seria escritor. Mas, no meu ponto de vista, qualquer escritor que se preze precisa, em primeiro lugar, consumir boas histórias. Sejam elas contadas por meio de livros, filmes, games ou o que for. Nos últimos 15 anos, estou sempre lendo alguma coisa. Ou duas. Ou três. Sempre tem uma pilha enorme na minha cabeceira. E ela aumenta a cada dia.

Respondendo à pergunta, meu processo de criação é estar sempre consumindo aquilo que eu gosto. Dessa forma, boas ideias surgem naturalmente. Uma ideia pode surgir a qualquer momento e em qualquer lugar, então eu sempre tenho o cuidado de anotá-las e só revisitá-las dias depois. Muitas ideias que inicialmente pareciam promissoras se mostraram não tão interessantes como pensei que fossem quando as concebi. Se a ideia amadurece bem, eu decido, então, desenvolvê-la. Eu só começo de fato a escrever depois da história estar completamente montada na minha cabeça. O maior desafio, para mim, é traduzir e organizar todo meu pensamento na forma de um texto fluido e agradável ao leitor. Ainda tenho muito o que aprender nesse aspecto.

Tem trabalhado em algo novo que queira adiantar aos leitores da Trasgo?

Estou trabalhando no último conto da coletânea que pretendo um dia lançar. Esse conto é, antes de qualquer coisa, um presente para minha namorada (e musa inspiradora). Ela me pediu um conto ambientado no universo das Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin. Nunca escrevi uma fanfic antes, e está sendo um desafio interessante. No entanto, se eu vier a publicar essa história, nomes de lugares e pessoas serão trocados para não deixar o Martin irritado. Ninguém quer ver esse homem nervoso.

Onde quem gostou do seu conto pode acompanhar seu trabalho?

As pessoas podem me acompanhar no meu Facebook ou no Twitter (@vicght). Estou com alguns projetos engatilhados que em breve serão divulgados por lá.

Lucas Ferraz
Lucas Ferraz
Lucas Ferraz é um Consutor de TI que se meteu a escrever e não parou mais. Participa dos podcasts CabulosoCast e Papo Lendário, sobre literatura e mitologia respectivamente. Escreve crônicas e edita os contos do Leitor Cabuloso e participa da Trasgo como revisor lucasferraz.com | @ferraz_lucas

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