Entrevista: Victor Oliveira de Faria

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victor-oliveiraVictor Oliveira de Faria é natural de Caxias do Sul/RS e possui 31 anos. Atualmente vive em Santa Catarina, exercendo a função de assistente administrativo. Há mais de dez anos escreve e publica seus contos em sites de literatura, sob pseudônimo. É entusiasta do gênero ficção científica e procura divulgá-lo.

Cinco Bilhões tem vários elementos da era de ouro da FC, como um futuro distante, robôs e a manipulação genética no intuito de criar seres humanos “adaptados” a uma nova realidade. Conte um pouco das suas referências, de onde surgiu este conto.

Nem sempre gostei de ler como gosto atualmente. No entanto, sempre gostei de temáticas espaciais ou que envolviam ciência. Meu pai gostava muito de ler e sempre trazia livros e revistas de bancas de jornal, como a famosa “Seleções”. Meu tio possuía a assinatura da revista “Superinteressante” na época. Confesso que às vezes o visitava apenas com o intuito de ler as novas edições.

Foi apenas no segundo grau, com “ordens expressas” de ler certos conteúdos, que a biblioteca começou a ser minha nova amiga. Foi lá que descobri o gênero da literatura que viria a ser meu preferido: ficção científica. Dois livros chamaram minha atenção: “827 Era Galáctica” e “O Enigma de Andrômeda”. À procura de mais destes autores, percebi que existiam inúmeros livros de Isaac Asimov.

Assim ele passou a ser meu autor preferido. Praticamente todos meus textos têm um pouco de seu estilo “linguagem simples aliada a uma boa história”. Esta noveleta foi influenciada em grande parte por seu livro “The Gods Themselves” (Os Próprios Deuses, 1972), onde ele descreve em pormenores uma sociedade alienígena que tem um Sol mais frio que o nosso, e a humanidade passa a trocar energia e matéria entre os dois universos, com grave consequências para um dos lados.

Estes detalhes, mais a teoria bem conhecida de que o Sol irá inchar e engolir nosso sistema em cinco bilhões de anos traçou a linha de meu texto. A primeira pergunta que surgiu em minha mente foi: e se alguém vivesse nessa época? O restante fluiu e quase se escreveu sozinho.

No conto, Keyra se mostra como “incompreensível” para seus conterrâneos, um ser com emoções em um universo racionalista. Por que trabalhar este aspecto?

A maioria de meus contos exalta o sentimento, independente da ciência aplicada. Já utilizei isso em temas com robôs, humanos e até máquinas. Neste caso quis mostrar que a humanidade, sem levar em conta tempo, época ou aparência, ainda é a mesma; no sentido de manter seus instintos primitivos e idiossincrasias como ansiedade e preocupações.

Há uma discussão sobre se a viagem para outros planetas seria o equivalente a “desistir” da Terra (e dos humanos). O que você acha?

Em minha opinião, se a humanidade algum dia chegasse ao nível apresentado em séries como Star Trek, somente um pequeno grupo de pessoas faria parte da equipe de expedição. Acho improvável que a Terra se tornaria vazia devido a isso. O livro “Nós, Marcianos” de Asimov, traz um conto muito interessante sobre o assunto — uma base avançada em Marte que depende da Terra. Infelizmente não acho que todos teriam o privilégio de desfrutar da era espacial.

Você publicou online por muito tempo sob o pseudônimo Brian Oliveira Lancaster, nome que utilizou até ao enviar o conto para a Trasgo. Por que o pseudônimo, e por que decidiu usar seu nome para publicar conosco?

Não sou uma pessoa que gosta de aparecer. Meu objetivo sempre foi entreter o leitor com boas histórias e despertar o interesse em conhecer autores clássicos do gênero. Minhas primeiras histórias são bem ruins (não existem mais), então o pseudônimo veio como uma forma de exercício literário. Afinal, só aprendemos e melhoramos escrevendo cada vez mais. Com o tempo o nome passou a ser conhecido e o mantive.

A Trasgo está se tornando um grande veículo midiático e como muitos atualmente não compreendem o conceito por trás de pseudônimos, resolvi me apresentar como eu sou, sem alter egos literários.

Você também publicou ebook de contos, conte um pouco sobre ele.

O ebook “Lágrimas de Robô e outros contos” em pdf foi o formato mais simples que encontrei na época para divulgar contos um pouco maiores, quase noveletas. Há muitos anos publico no site literário Recanto das Letras, mas o site (e público) dá preferência a textos mais curtos, imediatos. Se você publicar algo em partes/capítulos há uma grande chance de nunca ser lido.

O ebook contém os melhores textos de um período compreendido entre 2008 a 2012. Hoje já o considero antigo e com histórias não tão boas quanto achei na época. Mas o mantive disponível no blog, pois revela muito sobre meu estilo (e estes contos não se encontram em nenhum outro lugar).

Há algo além que queira destacar, algum trabalho seu que quer divulgar?

Não tenho nenhum projeto em andamento, a não ser uma grande ideia para um mashup entre faroeste e ficção científica, com apenas um capítulo escrito. Não me sinto seguro ainda para escrever um romance, por isso venho treinando com noveletas. Tenho o costume de não enrolar o leitor com eventos desnecessários, mas um romance exige um nível de detalhamento bem maior.

Quem quiser conhecer melhor o seu trabalho, deve ir buscá-lo onde?

Costumo publicar contos quinzenalmente (ou menos, dependendo do humor) em meu blog. Iniciei este mês uma série de resenhas e opiniões pessoais sobre livros de minha coleção. O link é paradoxotemporal.wordpress.com. Também coloco textos mais curtos no Recanto das Letras, mas geralmente vão parar no blog, que é mais completo e tem mais recursos (todos sob o mesmo pseudônimo). E meu Twitter, onde publico bem raramente micro contos: @victorfaria2012.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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