Entrevista: Wilson Faws

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foto_wilsonWilson Faws é engenheiro de computação e escritor. Mora em Campinas/SP. Possui contos publicados em antologias nacionais, e também se aventura em diversos projetos nas áreas de cinema e quadrinhos. Algumas de suas produções podem ser encontradas em literafaws.blogspot.com.

Vida Chãoniana é um conto singelo e gostoso. De onde veio a inspiração para ele? Nos fale um pouco sobre o processo de escrita do conto.

A inspiração para o conto veio durante uma oficina de escrita criativa que fiz com o Rodrigo Van Kampen. A sala de aula era cheia de quadros e um deles era uma ilustração de uma criatura fantasiosa flutuando sobre as nuvens. A história em si veio de forma natural a partir daí, mas manter a coerência narrativa foi uma experiência bastante particular, por eu estar utilizando, ao mesmo tempo, um ponto de vista infantil e aventureiro e outro muito adulto e sério.

Como você se envolveu com literatura? O que representa para você a atividade de contar histórias?

Meu envolvimento como leitor começou desde pequeno, sempre gostei muito de ler. O desejo de criar minhas próprias histórias já estava lá, mas só fui percebê-lo alguns anos após obter meu diploma. Quando esse desejo explodiu, comecei a escrever bastante e a participar de cursos e oficinas. É engraçada a segunda metade dessa pergunta, pois tenho uma coleção dessas respostas em um álbum de fotos no Facebook. Sempre faço esse questionamento a todos os autores de quem pego autógrafo, mas é a primeira vez que o recebo de volta. A meu ver, contar histórias significa transmitir para quem as recebe uma parte muito íntima de si mesmo. É como contar um segredo, mas trocando todos os fatos, cenários, tempos e personagens, mantendo do original apenas o sentimento, o humor, o drama, o suspense.

Você produz conteúdo em outros formatos? Como saber qual formato é mais adequado para determinada história?

Tenho também projetos de quadrinhos em andamento, e algumas idéias sendo desenvolvidas para cinema. Quero criar futuramente em outros formatos (principalmente dramaturgia, poesia, games e audiodrama). É possível escrever praticamente qualquer história em qualquer formato, e as adaptações que surgem de tentar escolher são interessantes. Dá pra substituir um trecho ambientativo de um conto por uma música de fundo em um curta, ou pegar uma página surrrealista de uma HQ e transformá-la em um objeto de cena de uma peça de teatro. As opções são infinitas e acho que o conceito de “adequado” é muito pessoal de cada autor. Mas posso citar um exemplo simples. Tenho uma história curta em que a existência de uma pequena aranha em várias cenas anteriores se torna crucial em uma situação mais à frente. Para essa história acreditei que os quadrinhos eram o formato ideal, por ser a maneira mais sutil de se mostrar a tal aranha. Na literatura eu precisaria citá-la diversas vezes, e no cinema, mostrá-la em foco ou se movimentando.

Em Vida Chãoniana você explora de um modo diferente a questão do pós-vida. Essa temática é algo que você explora em outras obras? Quais outros temas te inspiram a escrever?

Não costumo utilizar vida após a morte, fantasmas, nem mortos-vivos, acho que dá pra contar em uma mão as minhas histórias com esses temas. Não porque eu não goste, mas normalmente o tema não atrai na hora de decidir sobre o que vou escrever. Já o Vida Chãoniana eu considero uma história de “pré-vida”, e algumas características dele eu reproduzo bastante em outras histórias, como: a inocência infantil, o mundo que está entrando em colapso, a pessoa em busca de esperança, a descoberta de uma criatura anormal ou mágica em nosso mundo. Quem procurar meus textos vai encontrar vários com esses temas.

Fale um pouco sobre seus autores favoritos e principais influências.

Difícil falar de autores favoritos, pois não tenho o costume de ler muitos livros do mesmo autor. Mas os que mais me marcaram foram: Clarice Lispector, Machado de Assis, Tolkien, C.S. Lewis, João Cabral de Melo Neto, Michael Ende, Leonel Caldela, Neil Gaiman, Douglas Adams. Gosto muito das narrativas da bíblia judaico-cristã, um dos contos que mais gostei de escrever é uma releitura do início da história de Jó. Fora da literatura, busco muitas referências em quadrinhos, no cinema e nas séries de televisão, especialmente nos conteúdos de ficção científica, que gosto bastante.

Você está trabalhando em algo que queira contar para os leitores da Trasgo?

Estou participando de duas coletâneas que (espero) saiam em breve: a Coletânea Dice Comics, que é uma reunião de pequenas histórias em quadrinhos; e o Retrônicos, que é um livro de contos de diversos autores, que se interligam formando uma única história. Das produções em andamento esse ano, essas são as que estou aguardando mais ansiosamente. Em breve quero começar a escrever uma história maior (uma graphic novel ou um romance).

Quais os meios para os leitores da revista ficarem por dentro da sua produção?

Tenho o blog http://literafaws.blogspot.com, onde publico alguns de meus textos, mas também é possível me acompanhar pelas redes sociais (facebook, twitter, instagram), todas elas com o perfil @wilsonfaws. Se alguém quiser me contatar diretamente, também pode utilizar o meu e-mail: wilsonfaws@gmail.com.

Lucas Ferraz
Lucas Ferraz
Lucas Ferraz é um Consutor de TI que se meteu a escrever e não parou mais. Participa dos podcasts CabulosoCast e Papo Lendário, sobre literatura e mitologia respectivamente. Escreve crônicas e edita os contos do Leitor Cabuloso e participa da Trasgo como revisor lucasferraz.com | @ferraz_lucas

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