Galeria: Cecihoney

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Cecilia

Cecihoney ou Ceci Favo de Mel, como é mais conhecida, mulher trans dividida entre lacinhos fofos e armas mecanizadas, trabalha com pixelart e tem projetos de quadrinhos e games. Adora robôs, naves, magia, games retrô e indie, coleciona toys e escreva para a coluna Nerdiversidade do Minas Nerds.

Vamos começar por esta incrível capa da Trasgo. Todo mundo adora robôs gigantes! Qual foi a origem, a inspiração para ela?

Defini algumas diretrizes desde o início. Considerando que eu tinha liberdade criativa, então queria colocar características emblemáticas minhas e da minha arte. A primeira é que eu me auto retrataria, algo muito comum e recorrente quando me dão liberdade, especialmente depois da transição, então a moça no trono é uma versão de mim como um tipo de rainha valquíria. A segunda, atrelada à parte da valquíria: uma mistura de tecnológico e místico, ou seja, algo anacrônico, notável nas cores e detalhes do mecha e nas vestes adereços da valquíria. E claro, um robô gigante! Como criadora do grupo do Facebook Robot Fortress BR, fã de Transformers e outras séries e franquias do gênero, era natural ter um robô gigante na cena. O nome que dei a ilustração foi “O trono de aço da rainha valquíria”!

Você trabalha com pixelart, uma técnica pouco conhecida no Brasil. Quando começou e se encontrou nesta técnica? Você costuma usar outras técnicas (digitais ou não) em sua arte?

Eu comecei a desenhar bem novinha, só desenhava carros e naves. Foi com armaduras e robôs que fui tomando coragem para desenhar formas humanoides, a mim o mecânico sempre foi mais natural que o biológico. Aos 10 anos de idade meu pai trouxe um PC pra casa, alias uns PCs, às vezes com monitor verde ou laranja, mas sempre monocromático. Nesta época conheci meus primeiros games: Digger, Defender, Frogger. Não dava muita bola na verdade, mas gostava da arte. Então veio o MS Paint e vi que era fácil desenhar nele, fiz um caminhãozinho em tons de cinza (ou verde no monitor) e adorei o resultado! Daí fui aprimorando, descobrindo ferramentas, trabalhando com cores… :3

Sobre outras técnicas: fiz um curso de mangá quando nova, já dei aula inclusive, mas hoje só desenho à mão fazendo sketches no lápis. Agora gosto bastante de pintura digital, e para fúria dos puristas da pixelart, gosto de mesclar pixelart com outras técnicas ou filtros quando me convém, claro, deixando explicito que o fiz.

Como é o seu processo criativo? Você começa diretamente no computador ou faz um rascunho à mão? Quais softwares você costuma usar?

Eu começo antes de tudo na minha mente, diria que é uma das etapas mais longas do meu processo criativo. Por exemplo, nessa capa passei no mínimo 20 dias formulando a ideia na cabeça até ter uma imagem relativamente clara, alguns detalhes bem nítidos e principalmente, sentir a vibração que eu queria passar com a imagem. Claro que mudanças ainda ocorrem depois disso, eu não visualizo a imagem em todos os detalhes, só os mais importantes, e mesmo estes às vezes parecem diferentes na tela. Então eu abro o Graphics Gale e faço uma lineart básica da composição ou de alguns elementos chave. No caso da capa, comecei com a valquíria e fui expandindo para o cockpit e corpo da máquina. Depois disso é colorir e detalhar.

Atualmente uso o Graphics Gale, mas às vezes uso Photoshop para lidar com canais alpha e mexer com transparências, algo onde o GG é meio ruim.

Pixelart lembra muito a era de 8-bit e 16-bit nos consoles. Quais são seus jogos favoritos dessa época? E entre os jogos atuais?

Acho que esse é exatamente o charme da coisa. Como disse, eu não me interessava muito por games no ínicio, faltava motivação, identidade, ou possivelmente imersão. Foi com “Vice – Project Doom”, game do Nintendo/NES que eu engrenei. Pela primeira vez, mesmo sem entender, pois o game estava em japonês, o negócio tinha história. Meus amigos e eu ficávamos vendo as cenas entre as fases e imaginávamos a história. Com isso um amigo que cresceu comigo como irmão me apresentou Megaman, disse que se eu gostei de Vice ia amar — e foi mesmo! Por anos era tudo que eu jogava, especialmente a serie X no Super Nintendo, e mais a frente os RPGs japoneses, onde comecei por Chrono Trigger.

Então eu diria que meus games retrô favoritos são: Phantasy Star IV, Final Fantasy VI, Megaman X, Chrono Trigger, Vice – Project Doom.

De games atuais, começo com um não tão atual, mas já da era 32 bits: Xenogears! Agora de atual mesmo: Transformers Devastation, Airmech, 20xx, Brawlhalla… pois é, tenho voltado mais pra ação ultimamente rs

E falando da cultura pop em geral, que aparece nos seus trabalhos e collabs, quais são suas inspirações? E artistas favoritos?

Meu character design começou muito influenciado por Clamp e muita gente ainda aponta que é perceptível. Contudo, Akihiko Yoshida, com seus designs pra Final Fantasy Tactics, marcou muito meu character design, além, é claro, das artes de Megaman X e animes como Astroboy, Metropolis e Nausicaä. Para robôs comecei inspirada por Macross, designs de Shoji Kawamori, gostava da ideia de robôs sem uma face humanoide, apenas um visor ou uma câmera. Com o tempo veio influência de Hajime Katoki com seus designs pra Gundam Sentinel e atualmente as HQs de Transformers da IDW e os games War/Fall of Cybertron têm me inspirado bastante.

Para pixelart me inspiro muito na arte de Phantasy Star IV e Chrono Trigger, além de estudar muito o visual de Seiken Densetsu 3 para cenários de natureza. Mas tem artistas que conheço e admiro na área: Joseph Seraph, Ocean’s Dream e Mirage Verus/Skye Fortress.

Uma temática que aparece bastante na sua arte (e conteúdos que escreve no Minas Nerds) é a questão da aceitação e autoaceitação das pessoas homo, trans ou não binárias. Como você vê a arte nessa luta?

A arte é uma forma importante de expressão humana, não só do artista, mas de quem consome e aprecia essa arte. O grande complicador é quando a produção e distribuição da arte está nas mãos de um grupo especifico, de modo que só este grupo tenha como fazê-la chegar às pessoas. Com isso ainda temos problemas de representatividade não só de gênero e orientação sexual, como também étnicas.

Hoje, contudo, com a internet temos a possibilidade de qualquer um divulgar sua arte, e também podemos nos comunicar com as grandes empresas e nos fazer ouvir. Nesse cenário sim a arte tem possibilidade de crescer e se difundir de forma justa.

Porém, precisamos tomar cuidado, pois por mais que seja interessante ver histórias sobre opressão e as dores de ser oprimido nas vivências diversas, também queremos histórias onde personagens trans, gays, lésbicas, possam ser pessoas comuns dentro de seus universos, ou mesmo heróis e vilões, vivendo aventuras tão fantásticas quanto as de personagens cis e hetero.

Outra tecla bastante presente em seus artigos é a importância de personagens diversos na cultura pop em geral. Temos algumas vitórias, como Steven Universe e outros exemplos de alcance um pouco menor, como Lizzie Bordello. Mas você acha o cenário está mudando? Melhorando ou não? Você teria outros exemplos para ilustrar?

Acredito sim que o cenário esteja mudando, claro, com as pautas de diversidade entrando em destaque temos representatividade boa e ruim, mas temos. Tanto na grande mídia quando em produções independentes.

Além de Lizzie Bordello, uma webcomic que me trouxe muita identificação foi Venus Envy, por Erin Lindsey, mas que aparentemente foi descontinuada. De games hoje temos alguns RPGs e visual novels com possibilidade de romance homosexual, mas o que tem me agradado muito são os games de texto lançados pela Choice of Games onde você escolhe seu gênero (e pode inclusive ser não binário em alguns dos games) e ter relacionamentos homoafetivos.

E uma surpresa para mim tem sido os desenvolvimentos de gênero e relacionamentos afetivos nas HQs de Transformers, começando com o conceito de Conjux Endura, que seria um par no sentido romântico de um cybertroniano, independente dos gêneros, em especial o relacionamento entre Chromedome e Rewind… :3

Há algo mais que queira colocar nesta entrevista?

Gostaria de agradecer a oportunidade, não só pela divulgação do meu trabalho, mas por uma proposta aberta e interessante de trabalhar numa arte que me agradasse, foi ótimo encerrar o ano com esse trabalho. Com isso desejo sucesso pra Trasgo e espero de coração que as pessoas gostem da minha contribuição! -^.^-

Para quem gostou do seu trabalho e quer entrar em contato, onde podemos encontrar mais sobre você e portfolio?

Ah sim… minha página no facebook: fb.com/Cecihoneypixels

E meu deviantart: cecihoney.deviantart.com

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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