Galeria: Daielyn Cris Bertelli

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Daielyn Cris Bertelli é designer gráfica e ilustradora apaixonada. De Joinville, formada em Design de Programação Visual e pós-graduada em Master Design, tem um carinho especial pelo desenvolvimento de projeto gráfico de livros e passa boa parte do seu tempo em livrarias analisando capas e folheando livros interativos. Aprendeu com os JRPGs a explorar todos os caminhos antes de ir pelo principal e vai ler todos os diálogos para entender a história. Gosta de conversar sobre livros no Marca Página Podcast e seu gênero favorito é fantasia medieval.

Sua ilustração nos leva à um mundo de fantasia com fadas e seres mágicos e passa uma sensação de paz e tranquilidade. Há alguma história por trás da imagem?

Essa ilustração é uma ideia antiga, daquelas que rascunhamos e deixamos guardadas um tempo até se tornarem realidade. Sendo assim, quando iniciei os primeiros rascunhos eu tinha uma noção da composição, mas o conceito inicial foi se alterando para representar um mundo fantástico, tendo como cerne uma criatura desconhecida, em um cenário aconchegante, desses que te encorajam a fazer parte dele.

Acredito que o aspecto mais especial de cada ilustração que vemos, além do que motiva o ilustrador em sua criação, é o que o espectador traduz e encontra em seus detalhes, ou seja, as perguntas e história que cada um cria ao observá-la.

Como funciona seu processo criativo? Quais técnicas costuma utilizar?

O processo criativo e técnica variam entre projetos e ilustrações. Como base eu começo realizando uma pesquisa para entender melhor o tema que será abordado, se existem requisitos ou limitações, buscando contexto e referências que vão guiar o conceito do trabalho. Com esse conceito em mente eu realizo alguns rascunhos, uma técnica muito legal é criar várias pequenas “thumbs” e, ao mesmo tempo que sempre guardar as ideias iniciais, se forçar a pensar versões bem diferentes para, aí então, ir afunilando as opções e trabalhando em cima das que acho que vão funcionar melhor. Com o sketch selecionado, realizo o detalhamento ainda à mão do desenho e passo ele para o computador, iniciando a pintura digital com o tablet no Photoshop e fazendo qualquer ajuste na composição e proporção que não tenha sido observado anteriormente no papel.

Além do digital gosto muito de trabalhar só com a finalização em nanquim ou aquarela, normalmente eu decido primeiro qual técnica vou utilizar e parto daí.

Quais são os artistas que mais influenciam sua arte?

Dentre os artistas que mais me influenciam está o estúdio CLAMP, o qual sempre acompanhei as obras. O trabalho de Hayao Miyazaki para o Studio Ghibli que me encanta profundamente, e consegue transpor emoções como ninguém. John Howe e suas obras para o universo Tolkien e outros livros. As criações de Tetsuya Nomura para a Square. Também gosto muito do trabalho em fotografia de Alexandra Bochkareva e em aquarela de Alisa Vysochina e Weberson Santiago, com o qual tive o prazer de realizar um curso de ilustração para livros infantis.

Eu sinto uma grande influência vinda dos jogos, cinema, fotografia, literatura e até mesmo da música. Estou sempre buscando e acompanhando novos artistas, nacionais e internacionais, que me inspiram.

Você faz projetos gráficos de livros e chegou a fazer um para o livro-jogo Cidade dos Ladrões, de Ian Livingstone. Nos fale um pouco sobre esse tipo de trabalho e esse projeto específico.

Meu interesse pelo design editorial surgiu na faculdade de Design, é um ramo com muitas vertentes no qual tratamos além da ilustração, de toda a diagramação do livro, tipografia, cores, grid, fluxo de informações, elementos gráficos e interativos. Tudo pensado em como tornar a comunicação entre o leitor e o autor clara e eficiente. Ao pensarmos o projeto gráfico de um livro explorando os aspectos emocionais da narrativa, estamos entregando além de um produto, uma verdadeira experiência.

O projeto gráfico interativo de A Cidade dos Ladrões, foi meu trabalho de conclusão do curso no qual pude unir duas paixões: design editorial e RPG. Inspirada pela narrativa interativa não-linear dos livros-jogos e seu próprio sistema de regras, eu busquei explorar o potencial interativo da narrativa de forma visual e sensorial, estimulando a imersão do leitor.

Foram realizadas pesquisas teóricas e análises de mercado e público-alvo para definir o conceito e a linguagem visual mais adequada ao livro, refletidas tanto no layout quanto na distribuição dos componentes interativos. Também tive uma das minhas melhores experiências, a oportunidade de enviar uma cópia que imprimi e produzi manualmente ao autor, Ian Livingstone, e conhecê-lo pessoalmente em sua vinda ao Brasil para a CCXP.

Você também participa do podcast literário Marca Página. Nos conte sobre esse e outros projetos que queira dividir com nossos leitores.

Sim! O Marca Página é como um clube do livro em formato podcast. Nele nós lemos livros de diversos gêneros, nacionais e internacionais, fazendo uma análise sobre seu conteúdo. A leitura de cada livro é dividida em 3 episódios, no 1º julgamos o livro pela capa e sinopse sem spoilers, no 2º nós conversamos sobre o que lemos até a metade do livro e no 3º e último episódio falamos sobre a obra como um todo. A ideia é que o ouvinte “leia com a gente” e acompanhe os episódios, além de também discutir/comentar e contar o que acham que vai acontecer, como nós fazemos no podcast.

Além do Marca Página (marcapagina.net), também participo do portal Garotas Geek como colaboradora.

Você tem trabalhado em algo atualmente que queira dividir com os leitores da Trasgo?

Eu venho buscando estudar mais sobre roteiro, ilustração e aquarela, principalmente para a produção de livros infantis. Gostaria muito de tirar minhas ideias do papel e publicar algum livro infantil ou quadrinho autoral.

Para quem se interessou pelo seu trabalho, onde pode te seguir?

Você pode acompanhar meu trabalho como designer e ilustradora através do behance (behance.com/daielyncb)! Também estou sempre postando novas ilustrações e processos no meu twitter (@nitchan) e no instagram (@niitchan). O e-mail para contato é nielycris@gmail.com.

Lucas Ferraz
Lucas Ferraz
Lucas Ferraz é um Consutor de TI que se meteu a escrever e não parou mais. Participa dos podcasts CabulosoCast e Papo Lendário, sobre literatura e mitologia respectivamente. Escreve crônicas e edita os contos do Leitor Cabuloso e participa da Trasgo como revisor lucasferraz.com | @ferraz_lucas

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