Galeria: Jânio Garcia

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Jânio Garcia nasceu em Aparecida do Taboado (MS), mas mudou para Campinas muito pequeno, e atualmente mora em Sumaré (SP). Estudou desenho na Pandora Escola de Arte, onde hoje atua como ilustrador e professor de Arte Digital. Participa de exposições de arte, colabora com amigos ilustradores e tem vários trabalhos publicados. É casado com Gislaine Garcia, com quem tem uma Gatinha chamada Pink e uma cadelinha chamada Blue. Faz parte da equipe do podcast de divulgação científica Scicast. Adora filmes e séries. Largou o papel para ler num Kindle e não se arrepende.

Vamos começar com a capa da Trasgo! O que parece uma cena simples logo se revela mais complexa nos detalhes do cenário: os humanos parecem surpreendidos com aquilo. Também reparei uma semelhança com outra arte mais antiga sua, chamada "Tripods". É uma invasão?

Depende de que lado você está, ou melhor, será que as máquinas são controladas por alguém? A inspiração é a clássica cena de humanos sofrendo com suas próprias criações, principalmente aqueles que não participaram diretamente disso. Fica muito complicado se isentar da responsabilidade de criar algo tão perigoso se consumimos e até dependemos da tecnologia que nos apresentam. De alguma forma, financiamos isso. Confesso que eu não me lembrava da "Tripods", mas foi muito bem observado.

Você costuma pensar na história antes de ilustrar? Ou você parte do traço e vai acrescentando elementos? Como é o seu processo criativo?

Tem os dois modos, cada um para uma finalidade diferente. No caso da capa, eu imaginei o cenário antes, esbocei um layout bem simples e depois trabalhei com manchas até ter uma ideia do que as formas poderiam lembrar. Mantive em mente o tema "ficção científica" e a linda frase "desenhe o que quiser", com esses ingredientes eu pensei em máquinas e humanos. Há ocasiões em que começo só pelas manchas, como no teste de Rorschach, depois vou interpretando de acordo com minha imaginação e criando a história a partir daí. Nos dois casos precisamos de arcabouço de informações e imagens pra brincar, não se cria do nada. Também uso fotos para tirar dúvidas de anatomia, cenário, iluminação ou até mesmo pra inspiração.

Acompanhar o seu Instagram é uma loucura, fico impressionado com o volume da sua produção. Você desenha todo dia?

Praticamente. Tento ir pelo lado do desafio. Olho pra alguma ilustração ou cena e penso "Taí! Nunca desenhei nada parecido. Vou tento esse trem aí".

Você parece dominar vários estilos de ilustração, com uma "queda" para a concept-art digital. Conte um pouco da sua trajetória.

Eu, como a maioria dos artistas, desenho desde muito pequeno, mas só tive a oportunidade de estudar depois que comecei a trabalhar pra poder pagar um curso. Encontrei a Pandora, uma escola de arte em Campinas, e iniciei os estudos com desenho tradicional, com lápis e papel, até passar por cursos teóricos como História da Arte. Depois de estudar lá por alguns anos, me ofereceram um estágio no estúdio de ilustrações – claro que aceitei. Cresci no estúdio e conquistei uma vaga.

Comecei a me interessar pela arte digital nessa época. Eu sabia zero sobre o assunto, mas estava cercado por vários ilustradores que foram me dando as primeiras dicas. Com esse empurrão inicial eu estudei por conta própria até conseguir criar o curso de Arte Digital com a ajuda de um amigo que também era professor lá.

Por conta da necessidade de trabalhar como freelancer e pagar as contas eu fui adquirindo habilidade de usar vários estilos de traço, pintura e temas. Trabalho com diagramação, ilustrações pra capas, livros, camisetas, internet etc. O fato de ensinar desenho te obriga a arriscar mais estilos também, afinal, só é um bom ensinante que é um bom aprendente.

Quais são suas técnicas preferidas? Você tem algumas "ferramentas do coração", ou é do tipo que consegue criar com o que estiver à mão?

Eu sou um pouco caótico na criação, gosto de sujar, rabiscar e borrar, por isso amo trabalhar no digital – assim eu não destruo minha casa com tinta e minha esposa continua feliz. Também gosto de aquarela, pincel e nanquim, lápis, carvão e caneta Bic. Mas confesso que desenharia com qualquer coisa disponível, até galho sobre terra serve.

Vejo um cuidado em suas obras com o cenário e principalmente na ambientação que evocam. Quais são suas referências e artistas favoritos?

Eu gosto pra caramba de desenhar cenário. É uma das coisas mais difíceis de fazer, tem que imaginar muita coisa antes de começar. E a luz? A luz é o tempero que dá gosto na ambientação, sem ela fica tudo sem sal.
Eu tenho uma lista bem grande de referências e artistas, mas posso resumir dizendo que gosto do cenário fantástico, lendas e mitos em geral. Meu artista favorito é o Sergey Kolesov. Ele consegue misturar os elementos do desenho pra fazer boas ilustrações com muita maestria.

Em sua produção há bastante "fanart". Qual o seu tipo de literatura favorita, e de onde mais você se inspira? Filmes, jogos, outros?

Não jogo muito devido ao trabalho, tenho apenas dois jogos no celular e alguns outros no computador que estão pegando pó. Já fui muito viciado em Skyrim. Meu jogo preferido atualmente é o DomiNations pra android.

Eu gosto de ler sobre lendas, mitos e folclore – principalmente o folclore brasileiro. Leio muito André Vianco e tenho uma queda pela maneira como ele retrata o Brasil em suas obras. Isaac Asimov e outros escritores de ficção têm lugar cativo no meu Kindle. "Jurassic Park" e "Eu Sou a Lenda" me surpreenderam muito bem. Adoro qualquer texto sobre as civilizações do antigo oriente médio porque já estudei teologia e soube de onde vinha as influencias da Bíblia. Assim como todo bom leitor tenho uma lista infinita de livros do tipo "Não acredito que você ainda não leu!" pra ir matando.

Assisto muitas séries e filmes, mas aí vem uma confissão: eu amo a estética e a mística em volta de Star Wars e Senhor dos Anéis, mas não consegui assistir aos filmes sem dormir e não tive vontade de ler os livros.

Para quem se interessou pelo seu trabalho e quer entrar em contato, qual é o caminho?

Meu email é sempre o caminho mais curto: janiogarcia@outlook.com. Algumas obras estão disponíveis no Instagram (@garcia_janio) ou Portfolio (behance.net/janiogarcia).

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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