Mylène

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Porque é isso o que acontece quando você tem piratas na família: você acaba herdando todo tipo de tranqueira quando eles morrem.

E pra explicar? Eu já desisti. Digo que o pessoal serviu na Marinha e pronto, é menos problema. Porque é aquilo: você fala de pirata hoje em dia e fulano já pensa no filho da mãe do Jack Sparrow. Bicho, eu odeio o Jack Sparrow, sério. Baita desprestígio pra classe. Tá bom, se você parar pra pensar que o outro pirata que todo mundo conhece é o Capitão Gancho, dá para dizer que é algum avanço. Mas meu avô teria feito guisado do Jack Sparrow, de boa. Teria dado meia dúzia de tabefes e mandado o sujeito esfregar o convés com uma escova de dentes infantil na primeira respostinha torta.

Enfim. Onde eu estava?

Ah, é! As tranqueiras! E, cara, como tinha tranqueira. Eu tinha chegado de St. Ives fazia três semanas e ainda estava desempacotando coisa quando aconteceu. Jesus Cristo. Meu bom São Nicolau. Como tinha tranqueira. É coisa que não terminava nunca. Por que diabos o velho precisava ter vinte — vinte! Duas dezenas! — jarros de chifre de narval? Fígado de beluga em pó? Cara, ninguém mais compra essa porcaria, hoje em dia tem material sintético, muito mais em conta… Vai vendo.

Só de roupa, dois baús. Tinha um monte de coisa que me serve, mas uns troços que nem Deus explica. Tipo: no meio dos casacos tinha três peles de selkie. Que ele fez com as minas? Uma pele, eu até entendo. Quem nunca se apaixonou por uma selkie? (Você, provavelmente. Na minha área de trabalho, digamos que é doença ocupacional. Se não é selkie ou sereia, vai ser alguma coisa pior. Lobisomem, por exemplo. Não recomendo a experiência a não ser que você realmente não tenha parafusos na cabeça. Mas vai de gosto, quem sou eu pra julgar…) Mas três? Que caramba?! Como ele enganou três dessas?

Eu sei que meu falecido avô não era assim… digamos… o sujeito mais monogâmico do mundo. Qualquer coisa com ritmo cardíaco e idade pra se alistar na Marinha ‘tava valendo, ele amava igual. Nem precisava usar saia. Aliás, o Claude — que de todos e todas foi o único que vovô apresentou pra mim — não usava saia. Também, que saia que ia servir num marinheiro bretão de dois metros de altura por um metro e dez de largura com mais tatuagem do que senso?

Bom, onde quero chegar com essa reclamação toda? Quero chegar na Mylène.

Porque é isso o que acontece quando você tem piratas na família: você fica responsável por alguém como a Mylène.

Ela veio junto com as tranqueiras todas. Imagine meu susto: lá estava eu, entre casacos de veludo e uns vinte e cinco colares de coral (é amuleto contra mau olhado de primeira qualidade), e de repente aparece uma mina no meio da caixaria. Detalhe: vivíssima da Silva e respirando mal à beça. Humanoide. Cabelo ruivo. Olho preto. Nariz meio adunco. Nem feia nem bonita, só cheia de poeira até o topo da cachola, tossindo os pulmões pra fora (não sei se ela tem pulmão, mas deixa aí a figura de expressão que eu não tenho outra).

A gente foi se entendendo na base da mímica. Português ela não fala, inglês até entende mas não é lá grande coisa. Francês ela manja, mas aí quem não fala sou eu (que saudade do Claude nessas horas) e eu não sou nem maluca de chamar o Zé Carlos pra tentar traduzir porque aí eu ia ter que explicar todo o problema.

No caso: eu sou herdeira de piratas.

E não estamos falando dos bandidos modernos, ok? ‘Tamos falando do troço original. Bucaneiros de responsa. Comerciantes e traficantes de material mágico. Sacou? Chifre de narval em pó é tipo cocaína pra gente dos outros mundos. Cê quer botar um tritão doido, é isso aí que você oferece (se bem que chocolate também funciona e é mais barato. Sério, qualquer barra de chocolate ao leite e os caras te seguem até o fim do mundo. Caso você queira saber).

O pessoal acha engraçadinho que minha mãe é uma pernambucana de um metro e quarenta e oito de altura e meu pai é escocês legítimo, um metro e noventa e cinco, tipo o cara do “Outlander” só que moreno e não ruivo. E sem viagem no tempo envolvida (quer dizer… eu acho que não). Vá você explicar que mamãe veio de uma longa linhagem de feiticeiras lá da região de Fernando de Noronha e papai é de família de piratas e comerciantes de apetrechos mágicos, pra você ver se não te enfiam no hospício.

Enfim. Veja você que situação mais imbecil a minha. O que eu faço com vinte jarros de chifre de narval, três peles de selkies, uma infinidade de tranqueiras que eu nem tenho como vender aqui em São Paulo… E uma criatura chamada Mylène?


As primeiras coisas que eu aprendi sobre a mina? Ela falava francês. Depois, ela sabia cozinhar. Cheguei em casa do serviço (porque uma hora eu tinha que voltar pro trabalho; iam acabar dando por minha falta em algum momento na biblioteca) e tinha comida quente na mesa, viva! Bouiliabasse. O caldo de peixe mais poderoso da face da Terra, de longe. O Claude tinha uma receita ótima. Onde foi que a Mylène encontrou os peixes todos pra fazer a caldeirada, eu achei melhor nem perguntar que era pra não passar nervoso. Eu morava sozinha, cara. O máximo de requinte em matéria de jantar na residência é quando eu pedia comida chinesa pelo telefone.

Arranjei um dicionário Francês-Português com o Zé Carlos (tentando me livrar de perguntas e de outro convite pra sair — o sujeito era mais insistente que vendedor de telemarketing) e passei a noite tentando me entender com a minha hóspede involuntária. Quer dizer, como foi que ela veio parar aqui no meio das tralhas todas? E como foi que eu não percebi? Daí que pergunta daqui, aponta dali, eu descobri que o meu falecido avô, vejam vocês, andou se engraçando com uma criatura de águas profundas — eu não disse que o filho da mãe pegava qualquer coisa que topasse voltinha de galeão?! — e olha aí a lambança…

Custava ter avisado?! Toca a tonta aqui ligar pra Edimburgo atrás de meus pais. Quem atendeu foi minha mãe. Se você acha que eu sou braba, cê não viu dona Maria Madalena da Silva MacAndrews. Sério, Deus botou Brasil e Escócia longe de pena do resto do mundo, porque os dois povos juntos é pior que praga de gafanhoto.

O berro que minha mãe deu deve ter acordado gente até na Dinamarca. Vou dizer que botou a pobre da Mylène escondida atrás do sofá como se fosse gato quando pisam no rabo.

— É filha do velho? — Minha mãe disse.

— Neta! A mãe mesmo virou sushi já faz tempo. Morreu enroscada na rede de pesca duma traineira pelo que deu pra entender.

— Magali! Olhe o respeito, menina!

— Ó, mainha, vê se dá um desconto, vai. Eu nem perto do mar moro. A praia mais próxima de São Paulo é o quê, Santos?! Vou largar essa menina em Santos? Com o mar naquele estado? Capaz da coitada ter um treco.

— Leva pra Fernando de Noronha, tua avó dá jeito nela.

— Jeito como? — Não vou dizer que minha avó materna seja ruim. Ela não é. Mas ela também não tem paciência com coisa nenhuma. Tô até vendo, a Mylène, ruivinha feito uma polaca e magrinha que nem um palito de churrasquinho, falando francês, tentando se entender com dona Esmeraldina da Silva. Seria hilário se não fosse comigo… — Ó, ponha papai na linha, faz favor. A encrenca é piratesca, ele que se vire pra me ajudar a resolver.

— Magali, teu pai não gosta nem de falar desses troços. Ele largou essa vida faz tempo, tu sabe…

— Olhe, eu também não gosto. Cê pensa que tô achando divertido essa caixaria toda aqui na minha casa? Cê me faça o favor de acordar o velho que eu não vou resolver esse treco sozinha. O combinado era que eu ia cuidar do butim do velho Johnny. Gente viva não ‘tava inclusa no pacote!

Cinco minutos depois, lá estava o seu Oliver no telefone, com aquele sotaque de Gerard Butler depois de um enfisema pulmonar:

— Eu não tenho ideia do que fazer, filha.

— Que bom, somos dois! Leva um papo com a Mylène. Alguma coisa. Cês são parentes, de repente cês se entendem. Ela fala francês. Ajuda?

— Meu francês é pífio, mas tudo bem. Como diria sua mãe, não vai me cair o braço de tentar, não?

Pus a Mylène pra ouvir a conversa — nem ferrando que eu consegui explicar pra que lado que ela tinha que segurar o telefone, então foi no viva-voz mesmo. Foi uma gritaria do caramba, fiquei até com medo dos vizinhos virem reclamar. Mylène ficou com a cara mais vermelha do que o cabelo, me saiu guelra do pescoço e debaixo do queixo e o cabelo… olha, se eu te contasse, você não acreditava em mim, então vou poupar o esforço. Claro, que divertido deve ser você achar que é filho único a vida inteira e encontrar um meio-irmão no velório. Que divertido você descobrir que seu pai conseguiu a proeza de se reproduzir com uma fada marinha, ainda por cima. Só na minha família mesmo.

Você tá me perguntando: e aí, como resolveu? Resolveu que meu pai ficou de fazer uns telefonemas pra uns parentes, uns caras da vida piratesca — que vai saber como ele ia conseguir contatar, porque você já viu pirata mágico com celular? Pois é, nem eu, e olha que estamos no século 21. E você aí pensando que magia era moleza. Vai achando. Se dizer abracadabra resolvesse a minha vida, eu não era funcionária pública…


Mylène perguntou por que eu não tenho uma banheira. Porque brasileiros, no geral, não têm costume, eu disse pra ela. Bem que eu queria, mas no meu banheiro mal e mal cabe o chuveiro. No qual, aliás, a madame ruiva ficaria metade do dia se deixassem. Coitada da minha conta da Sabesp e coitada da Mylène. Também, veja você… Além do calor de fritar ovo no teto do carro, ainda por cima ela precisa mesmo ficar perto de água. Depois de três semanas trancada no meio dos cacarecos do velho Johnny, ela ficou desidratada.

Daí que onde ela ia, ia junto uma bacia. Você tente imaginar a cena ridícula que era Mylène cozinhando na beira do fogão com os pés dentro dum balde! Vai ficar constipada, como diria minha avó Esmeraldina. Nada: pelo menos ela parecia melhor. Já ‘tava respirando bem, a pele mais corada e tal. Eu é que já ‘tava ficando meio enjoada de comer peixe, mas, de novo, vou reclamar? A mina é uma chef de primeira, pô. ‘Tava quase chateada com o fato de que, em algum momento, ela ia ter que ir embora. Mas é aquilo: não dava pra deixar a danada da mina dentro dum aquário. Ela não era bicho de estimação!

Se bem que esse troço de morar com alguém até que me fez bem. Pelo menos eu tinha motivo pra voltar pra casa. Na noite em que me atrasei, cheguei em casa e a Mylène ‘tava no sofá mais murcha que uma alface, com os pés dentro da bacia de lavar roupa, tricotando alguma coisa com dois hashis e um fio que ela deve ter achado lá no meio das quinquilharias do meu avô. Ela gosta de tricotar — não dá pra fazer muito, ela explicou, porque ultimamente não tem tido muita folga lá nas bandas do Mediterrâneo de onde ela vem. Se não é turista enchendo o saco, é barca de imigrante fugindo de guerra. Ela parecia bem chateada de falar dos barquinhos, de como a gente dela fazia um esforço danado pra empurrar pra terra firme mas que não dava pra salvar todo mundo. Era cansativo — c’est tannant, ela dizia.

Fui descobrir depois que ninguém na França fala c’est tannant pra dizer que um trampo é exaustivo — isso quem fala é canadense. Mas até aí, mais uma pra conta das esquisitices da Mylène: vai saber que marinheiro que ela achou perdido aí no porto antes de ir parar no enterro do meu avô.


Depois de uma semana e meia de peixes no almoço e na janta, bacias e baldes e chuveiro ligado no máximo no meio da noite, um monte de tricô e o Zé Carlos torrando minha paciência porque precisava do dicionário dele de volta (e vinte variações da pergunta “por que você não sai mais com a gente depois do trabalho?”, querendo dizer “por que você não sai mais comigo?”, todas solenemente ignoradas), meu pai achou alguém que conhecia alguém que manjava do pessoal lá da Mylène.

A parte boa? Eles ‘tavam mortos de preocupação com ela, achando que algum pesqueiro tivesse fisgado a mina ou coisa pior. Então foi praticamente feriado nacional quando avisaram que ela ‘tava viva, só tinha mesmo fugido quando soube que o avôzinho tinha morrido e acabou presa nos cacarecos dele.

A parte não tão boa? Como é que você devolve alguém tipo a Mylène pro meio do caramba do Mediterrâneo? Ela veio em um contêiner e quase morreu na tentativa. Não dá pra comprar passagem de avião pra uma pessoa sem passaporte — ou que nem humana era, pra me complicar mais a vida.

Tacar a mina na água e mandar ela ir nadando? Não dava. É tipo largar alguém na rodovia e mandar ir a pé pra casa. Arruma daqui, fala dali, Skype pra Edimburgo e de volta, mais gritaria e bruxaria e pronto, entramos em um acordo. Um navio pirata ficou de levar a Mylène e metade do butim do velho Johnny de brinde, pra compensar a viagem. O problema é que a gente teve que ir até Fernando de Noronha pra isso, porque o colega só estava de passagem e não ia descer até Santos. Pois enfiei a Mylène no carro com toda sorte de balde e peixe na caixa de isopor e pusemos o pé na estrada pra Pernambuco. Dei uma desculpa qualquer pro Zé Carlos, mandei ele tomar conta da biblioteca e ‘bora lá partir.

Vou te falar que foram os três dias de viagem mais divertidos da minha vida. E olhe que eu já viajei um monte. A mina era boa companhia, cantava até que bem, sabe? Não deu o menor trabalho. A gente dormia no carro mesmo, que grana pra hotel andava curta, e ela ficava de vigia pra não aparecer encrenca. Tipo navio de pirata, todo mundo tem turno pra tudo e quando calha de ter cantoria é aquela bagunça desafinada, mas que no fim até que se ajeita porque é assim que a gente vive. Acho que não ria tanto assim desde… Ôxe, nem me lembro.

Conseguimos chegar em Fernando de Noronha graças ao barco do meu estimado primo Ganimedes — que, como todos os homens da família, manja nicas de magia mas tá de boas na revolução, ajudando na causa. Ele nem estranhou que a Mylène parecia criança depois de dois pacotes de jujuba e uma volta no parquinho quando finalmente entramos em mar aberto. O cara já viu de tudo, até ruiva de verdade, e nem a pau que ele ia me dar o gosto de vê-lo surpreso, não mesmo…

O navio chegou dois dias depois. Cê não dava um centavo por aquela banheira motorizada, mas o sujeito manjava do trabalho, nem precisava dizer: só de olhar a pessoa já saca que tá falando com um profissional. Nada de bandana de Jack Sparrow, nada de roupa exagerada. Tatuagem ok, o cara tinha de monte; cabelo cheio de nó por causa do vento e do sal do mar, também. Mas roupa prática e bem ágil. Catalão de origem — meu pai não ia aprovar nem um tiquinho as liberdades todas que o moço tomou, mas eu aprovei bastante, obrigada por perguntar — e bem interessado no butim que eu trouxe.

— É pra deixar a moça onde, especificamente? — ele perguntou, olhando pra Mylène.

— Lá pras bandas do Mar Tirreno, pelo tanto de informação que ela passou.

— Beleza, é caminho. Tô com troço pra descarregar em Malta, aproveito a viagem. Cê não quer mesmo esses chifres de narval?

— Vende e doa o dinheiro pra alguém que cuide de refugiados, já fico feliz. Eu não tenho uso pra isso por aqui.

Claro que o fulano me olhou como se eu fosse louca, mas tudo bem. Ia explicar como que eu sou funcionária pública? Chifre de narval não faz nada pra humanos, e mesmo que fizesse era capaz de eu ser presa por tráfico de entorpecente (se a polícia entendesse desses trecos todos). Enfim, era hora de botar a Mylène no barco e dizer meus adeuses todos, que eu tinha que voltar pra casa e tal.

E a criatura me começa a chorar. Mas chorar de soluçar, do cabelo cair que nem espaguete cozido no rosto, de fazer um escândalo tal que até o Ganimedes, que é surdo dos dois ouvidos, acabou percebendo. Que beleza, pensei eu com meus botões: que é que eu faço agora? Largo a mina aos berros na mão dum sujeito que nunca vi na vida (tá certo que todo cheio das recomendações e tal) numa embarcação toda lascada? Sério? Voltar pra São Paulo com ela, não dava. Ficar em Fernando de Noronha, não dava também.

E foi assim que eu vim parar aqui no porto de Siracusa, falando contigo. Porque é isso o que acontece quando você tem piratas na família: você sempre volta pra proa dum navio. Não ia deixar a coitada chorando, ia? Caramba, eu tenho coração. Tanto que tenho que cê vê que situação maluca, o capitão catalão até pediu minha mão em casamento depois que a gente deixou a Mylène em casa.

Antes de sumir na água feito espuma de banho, toda contente e cantando mais afinada que soprano de ópera, não é que a ruiva disse que eu devia aceitar a proposta de casamento? E nem porque o catalão era bonito ou por causa do barco mágico nem nada – era porque o sujeito sabe fazer romescada, que é feito bouilabasse mas com uns troços no meio que o Claude não aprovaria nunca. Cheguei à conclusão que a Mylène pensa com o estômago e não com o cérebro!

Enfim, é isso. Se você for encontrar o Zé Carlos lá em São Paulo, diz pra ele que eu perdi o dicionário mas depois mando outro pra ele. Não precisa explicar o resto, não.

Anna Fagundes Martino
Anna Fagundes Martino

Anna Fagundes Martino nasceu em São Paulo em 1981. Mestre em Relações Internacionais pela University of East Anglia (Inglaterra), teve trabalhos publicados em revistas como a britânica "Litro" e interpretados na Radio BBC World. No Brasil, publicou "A Casa de Vidro" e "Um Berço de Heras", ambos pela editora Dame Blanche.

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