Uma Antiga Aldeia e Seus Pequenos Deuses

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A procissão de miseráveis foi se aproximando. Passos arrastados, cabeças encurvadas e corpos suados pelo calor do dia.

Pouco tempo que havia tremido aquela terra, e o pó dançava novamente. E novamente…

Os moradores do local, uns quase mil esfaimados, haviam sacrificado uma ninhada de ratos, alguns cães moribundos e três aves carniceiras, os quais tinham sido motivo de briga; e estavam reunidos diante do grande abismo, repicando tristemente seus tambores, cogitando se seria necessário atirar algum dos irmãos ao fundo.

Há muito que os Jamulei haviam banido os sacrifícios humanos.

O choro começou com uma criança. A mãe respondeu por compaixão com outras lágrimas e logo todos uivavam, lançavam poeira ao alto e arrancavam os cabelos.

A tarde avermelhada e aquele zumbido surdo sob os pés descalços. As unhas agora arranhavam a pele, e os olhos se reviravam nas órbitas, em desespero. As bocas espumavam um caldo grosso, amargosas de fome. O primeiro saltou.

O corpinho descarnado do ancião não se afastara muito da encosta, e se quebrou entre uma e outra pedra, desaparecendo na densa escuridão.

Outro saltou, e então eram mais de uma centena de desesperados tropeçando em si mesmos e em outros “homens graveto”; despencando para manchar as rochas com sangue e vísceras.

Uns até tentavam arrastá-los para longe dali, mas lhes faltava força. Desta vez houve um som. Os tremores intensificados traziam da cratera vapores que se somavam a um forte odor acre.

A poeira escureceu o dia e a terra foi sacudida, levando muitos joelhos enfraquecidos a se dobrarem. Costas magras se esfregavam ao solo, enquanto os pés tentavam impulsionar o corpo para fora do alcance daquele horror.

O urro foi vindo, num crescente fino e agudo, ampliado e reverberado pela cratera. Algo parecia se debater ali, numa babel sonora aterrorizante, e foi subindo à tona até que… Até que algo explodiu na superfície!

A sombra, do tamanho dos mais altos montes, agora se dobrava esmagando os mais próximos, e o guincho e hálito sulfuroso da coisa feriram olhos e ouvidos. Ao longe, escondidos por todos os possíveis lugares daquela paisagem desolada, restavam uns poucos valentes a fitar a criatura colossal, tentando contar braços, mãos e cabeças. Certamente era filho de deuses. Restava saber se seria a resposta positiva ou castigo pelo desleixado ritual daqueles desesperançados.

Ele não se movia. Respirava com dificuldade, enquanto expunha suas tantas línguas, provavelmente esperando sorver alguma água do tempo. O sacerdote haveria de chegar logo, trazendo o fogo e as ervas para incensar o local. O trecho era longo, e suas pernas doentes não suportavam caminhar.

Um dos homenzinhos se esgueirou para junto do monstro. Carregava consigo um galho de cabeça afiada, enrijecida em fogueira, e foi cuidadoso com seus sons e sombras até que se viu bem próximo ao corpo gigantesco. Estranhamente, o solo ali estava úmido.

Andou mais e notou seus pés molhados, e enquanto se abaixava para conferir o filete de água morna. A luz dum archote, que seguia adiante, se lançou sobre algumas das tantas cabeças, fazendo faiscar uma miríade de olhos que lacrimejavam.

O sacerdote, homenzinho mirrado, cabeça calva, barriga protuberante, boca de gengivas negras e centenas de pequeninos dentes apodrecidos, veio carregado sobre os ombros de dois homens com um pouco mais de carnes do que os demais. Ele desceu daqueles lombos magros e pôs-se a falar algo ao valente, e este respondeu com um aceno; apontou a sua língua ao céu e apalpou um bocado de lama em suas mãos, entregando-a ao velho. Este tomou curioso a massa, a olhando por um minuto ou dois, e arrancou da algibeira quatro sementes. Dessas engoliu uma, lançou a segunda à água nova, cavou uma cova com o polegar do pé direito plantando a terceira, e a quarta queimou sobre a tocha, assim como as pontas insensíveis dos dedos. O fogo subiu azulado, e o monstro gemeu enquanto o homenzinho tentava montar em seus ajudantes.

Os homens correram, deixando cair o sacerdote da altura de seus ombros. O homenzinho sentiu o partir da costela. A boca sangrava um pouco e as costas ardiam, descarnadas. Ele fechou os olhos e respirou como pôde quando um sussurro distante veio lhe esclarecer tudo.

Então se arrastou para mais perto do corpo, a escutar o sopro se convertendo em voz. Ao longe, todos os outros gritavam, enquanto o vulto do velho sumia em direção àquela língua enorme. Deitou-se sobre ela e foi enrolado para o interior de uma daquelas repulsivas e enormes cabeças.

Os olhos se fecharam, e houve trovões e raios.


Não muito tempo depois e as plantas surgiram do nada. Espécimes esquecidas, algumas já em flor no primeiro dia e em fruto no posterior. O deus permanecia imóvel, exceto pelos olhos marejados, que agora eram a vida da aldeia, e por alguns espasmos e movimentos de respiração. Ninguém, depois do sacrifício do ancião, aproximava-se do gigante, mas traziam e lhe depositavam, das flores brotadas de seu próprio pranto, cereais e frutos, tão próximos quanto recomendava a segurança. Por vezes tentaram empurrar-lhe, com imensos paus; panelas de barro com as ofertas, mas a elas não havia resposta além do tempo, que as deteriorava próximo às narinas, exalando um cheiro forte e incomum. Ainda não havia rebanhos para sacrificar.

Os dias continuaram seu trajeto, conduzindo pelas mãos a todos como um tutor paciente. As colheitas eram sempre fartas, e o doce das frutas jamais se vira igual; embora a fartura das cabanas houvesse deixado um incômodo: as rezes compradas com a colheita passada agitavam-se muito, fugindo da presença do ser divino; e, quando mantidas num aprisco distante, as fêmeas abortavam suas crias e as carnes apodreciam logo após o abate.

O novo sacerdote tentou conduzir um novilho a uma das bocarras. Não por cumprimento de seu ofício, mas por sentir que a doença que lhe acometia o ventre já manchava a pele e saltavam-lhe algumas feridas na virilha e noutros lugares reservados. Talvez, pensava, o monstro lhe honrasse com mais um par de anos, ou lhe transformasse em um daemon. Era uma boa hora para arriscar.

O animal hesitou desde o início e, à medida que se aproximava do monstro, fazia esforços desesperados para recuar. Escoiceou o jovem que lhe empurrava as ancas, mordeu o que lhe segurava o cabresto, mas havia muitos outros o coagindo, além das ervas que lhe haviam feito mastigar, agora embaraçando-lhe as pernas e turvando as vistas.

As bocas permaneceram cerradas, e ambos foram rejeitados. O espírito do deus lhes deixara de ser favorável.

Passaram-se muitas outras primaveras; a maioria delas difíceis. As plantações se foram, estação a estação, queimadas pelo sol, devoradas por gafanhotos, por ferrugem e por outras pragas. Eles haviam tentado vários tipos de sacrifício, inclusive alguns filhos de príncipes, porém a criatura era caprichosa.

Os mananciais que brotavam dos olhos, vez em quando irrompiam; para consolo dos que restavam no lugar. Seu gosto era adocicado, e concedia uma disposição extra ao ser bebida. Alguns diziam que sofriam alucinações ao consumir o líquido, mas a maioria desconfiava de que tudo aquilo não passava de fantasia.

Certo dia, já não havia mais grãos no silo improvisado, e entre as decisões de vida e morte, Motul apanhou sua faca de sílex e foi arrancar um naco do flanco daquela coisa. Não contou a ninguém. Cortou, a despeito de achar ter ouvido algum gemido e ter sentido um leve tremor naquelas carnes. Ela cheirava à carne de caça, e ele torceu para que nenhuma das hienas que rondavam a região percebesse e resolvesse tomar parte naquele sacrilégio.

Ao invés disso, ouviu as vozes de Giuga-há e Lumadi; que provavelmente terminavam seu turno. Aproveitou-se da pouca gordura da lamparina dos companheiros e se movimentou acompanhando os contornos sombreados do titã, até distância segura. Logo avistou sua oca.

Ao contrário do que pensou, a carne era tenra e a pele era uma membrana delicada de poucos centímetros. Pensou em trabalhá-la numa algibeira ou numa garrafa para bebida forte, mas deixaria a manufatura para mais tarde, pois agora o momento era de prazer. O bocado suculento lhe dançava à boca, desprendendo-se em sabores jamais imaginados. Era assim a carne de um deus.

Lá fora algo escorregou na poeira solta. Gemeu baixinho e foi entrando pela porta de couro. Ele bem que tentou esconder o assado, mas a boca salivante do irmão menor já avançava irremediavelmente. Ele o empurrou, gritou e o mandou embora; mas o garoto caído esperneava, perguntando de onde havia vindo tudo aquilo, já que o resto da família já cogitava sacrificar um dos recém-nascidos para lhes aliviar um pouco a fome.

O garoto tentou fugir e denunciar a traição, mas um galho aceso lhe esmagou o crânio. Aquilo não devia ter acontecido! Motul gritou, e os demais aldeões acorreram para sua oca, pensando se tratar de ataque de carniceiros ou das tribos vizinhas, mas quando as mãos afastaram a cobertura da porta, não havia nada além de um corpo ensangüentado.

Assim como as lágrimas, o corpo do gigante fazia maravilhas nos corpos e humores da tribo. A princípio, ficaram temerosos de provar a iguaria, já que o mancebo Motul, depois de ter explodido a cabeça de seu irmão caçula, derrotou sozinho os oito guerreiros que foram escolhidos para capturá-lo. Reconsideraram, no entanto, quando a tribo Waaid soube do acontecido e veio reclamar também sua parte. Eles foram vistos no horizonte, naquele dia, mas decidiram acampar e se preparar para a possível hostilidade de sempre.

Os Jamulei, assustados e fracos demais para lutar, lançaram mão da carcaça divina, e cada qual tomou sua porção. O príncipe dos Waaid lhes enviou o mensageiro, mas os Jamulei se encontravam num frenesi tal que o pobre mal apeou do jumento e foi despedaçado por mulheres, crianças e velhos.

Os que o seguiram encontraram muita dificuldade para se aproximar. O povo atirava imensas pedras a longas distâncias, com grande precisão. Quebravam ossos, derrubavam cavaleiros e gritavam com uma fúria tamanha que faziam tremer o solo. Muitos correram em direção aos que vinham, mas zarabatana ou tacape raramente podiam pará-los.

Eles empilharam os corpos para queimar. Haviam se apossado dos espólios: roupas tingidas de açafrão, esterco e sangue; os enfeites de marfim, penas e pedras brilhantes. Os olhos do gigante pareciam arder junto à chama.


O verão chegara e o corpo continuava ali, inamovível, assustador e observando com seus milhares de olhos todo seu derredor. Cabelo e barbas lhe cresceram, negras, cascateando de suas tantas faces por alguns quilômetros. Os fios eram cortados diariamente e trançados em rédeas, vestidos, redes, bonecas, colares… Parte dos pelos era torrada e consumida na bebida, e muitos a consideravam ótimo afrodisíaco. O resto era queimado na fogueira para espantar animais.

Seu lado estava aberto e muitos de seus braços foram consumidos, restando alguns tendões para lhes atarem à carcaça. Os órgãos pareciam saudáveis, e pele e músculos se regeneravam rápido, tentando lhe recuperar o que lhe fora extraído naquele dia pelos aldeões. Muitos haviam plantado alguns ramos de plantas aromáticas ao redor do corpo, para disfarçar o odor das carnes que iam apodrecendo durante as retiradas. Elas, assim como algumas modestas hortas, eram mantidas pela saliva que escorria das infinitas bocas, e as lágrimas fomentadas pela poeira atirada propositalmente por crianças em cada um daqueles imensos olhos.

Baluma era o príncipe da aldeia naquele ano. Logo que fora empossado, cismou de querer que lhe fizessem um trono com as falanges de uma das gigantescas mãos. Seu filho Hamih e outros oito empregados empenharam-se em arrancar um par de dedos para que o artesão da aldeia lhe esculpisse o assento. Os homens gastaram o fio de algumas dúzias daquelas facas rústicas, mas o conjunto de ossos só veio a se desligar do corpo umas oito horas depois. Em certos momentos a respiração do monstro se descompassava, então eles deitavam mais daquele bálsamo de erva sobre o ferimento aberto, e a criatura se acalmava um pouco.

O tal trono foi fabricado, a tenda de Baluma foi coberta com a pele curtida da criatura, então o vaidoso príncipe ordenou que lhe confeccionassem uma armadura com as unhas enegrecidas do titã. Ouviram-se boatos de que o homem estava a enlouquecer, já que se dizia um dos filhos dos deuses, e que intentava negar, num futuro não muito distante, o consumo do corpo aos que não fossem nobres.

Certa feita, sentiu fome de novidade. Alguns de seus homens andaram dezenas de quilômetros para caçar um tipo peculiar de antílope, não visto naquela região há muito tempo, mas o homem, na verdade, salivava por outro prato.

A equipe agora era de trezentas pessoas. As mulheres pisoteavam, numa espécie de lagar, a folhagem que provocaria dormência, outras traziam suas vasilhas de barro cheias de sal para provocar a salivação que lhes serviria para umidificar o preparado. Os homens cortaram forquilhas bem maciças, para quando gritasse o feitor, arreganhassem os beiços do monstro e afastassem os dentes para que fosse despejado o preparado que lhe faria dormir. E assim sucedeu!

As machadinhas começaram a rasgar o tecido, enquanto os feiticeiros incensavam as entranhas, e cantavam cantigas para espantar espíritos maus. Os oito corações ressoavam alto e cadenciados logo acima. Os pulmões se contraíam e distendiam com um ruído cavernoso. Os intestinos se movimentavam, calma e lentamente, como gigantes serpentes que haviam se regalado com alguma presa. O ambiente era de um calor sufocante e cáustico. Alguns dos homens decidiram recuar. A “Festa da Lua” chegaria dentro em pouco, e logo seria escolhido um príncipe menos caprichoso. O restante deles, temerosos da pecha de covardes, e as cinquenta chibatadas que acompanhavam a declaração de insubordinados, seguiu até rasgar do corpo um pedaço digno do tecido estomacal. Deitaram-no nas costas de uma dúzia de homens, virando-os de forma a não deixar que a parte interior lhes roçasse a pele, para não causar queimaduras. Imaginavam o quanto seria suficiente para o banquete que o homem desejava oferecer, quando Gadê gritou que lhe trouxessem a lamparina de gordura, pois havia encontrado alguma coisa.

O velho estava encostado ali, nu, e em posição fetal. Curiosamente, não fora digerido, ainda que suas roupas já não existissem mais. O ar acre e corrosivo expulsara a todos, inda que um deles antes tenha achado por bem atar uma corda de sisal à mirrada perna do defunto. Puxaram-no tão delicadamente quanto possível, mas a atadura foi estreitando as carnes e macerando o tornozelo. Horas depois, e uma tira esfolada, que antes era pé, apontou sua saída. Finalmente o velho estava fora do corpo.

Encostaram-no em duas lanças que haviam encravado no chão, e puseram reparo na pele do sacerdote, que antes muito negra, se tornara translúcida no rosto e nas mãos. Os olhos também haviam se transformado, e, dilatados, denunciavam o vazio do corpo. A pequena multidão de feiticeiros rodeou o sacerdote e soprou pelo tubo de barro o incenso da botija sobre ele.

O som da cantoria foi se alteando, e a fumaça já havia tomado todo o lugar; irritando os olhos e enchendo os pulmões. Uma voz convidou a alma do homem para que voltasse ao corpo, a segunda a ordenou, mas foi quando a terceira ameaçou de maldição, caso não retornasse, que os corpos dos feiticeiros começaram a se agitar.

O grito veio de trás, e eis que um dos homens fora tomado em transe. Babava, urinava-se, e recitava frases na língua perdida dos antepassados. O guerreiro à sua direita abandonou a lança, tentando apará-lo enquanto caía, mas muitos ao seu redor começavam a se comportar da mesma maneira. Quis fugir dali.

O monstro certamente havia enviado alguns maus espíritos para punir pela violação. Afastou-se alguns passos daquela loucura e encontrou o irmão se contorcendo, ao lado de seu incensário partido. Arrastou-o a alguns metros dali, deitando-o em seguida no chão, para encontrar uma melhor posição de lançá-lo às costas.

O clima se tornou coisa viva, revoltando-se em ventos turbulentos, enquanto as nuvens iam se congregando e pesando no firmamento, até quase tocar o chão. Alguns raios começavam a estalar nos quatro cantos, sendo acrescentados de tempo em tempo, até que iluminavam cada centímetro de terra daquele lugar.

Bambag pesava ao lombo. Lajud suava e chorava por esforço, câimbras e pavor. Sua corrida era pouco mais do que uma caminhada. Sentiu cheiro de fumaça e couro se queimando. A aldeia se incendiava. Havia gritos de horror e pessoas se espalhando por toda parte. Ele buscava alcançar a caverna dos chacais, torcendo para que o barulho os tivesse afugentado; porém o chão o sacudiu de si.

O pé pisou em falso, o peso às costas ajudou no desequilíbrio, e ele se quebrou no chão. O tornozelo expunha seus ossos, dois ou três dedos da mão direita certamente haviam se partido, enquanto queixo e peito deixaram parte de seu couro pelo caminho. O irmão se encontrava a alguns poucos metros dali, estirado numa posição impossível.

Lajud se arrastou para junto do mancebo. O corpo vestia somente alguns arranhões, porém os olhos haviam se embranquecido tal qual o leite das cabras montanhesas. A boca espumava e balbuciava numa língua desconhecida. Então o homem gritou; e os raios e a terra lhe responderam.

A criatura se erguia do abismo. Alta a tocar os céus, arrancando de si os membros carcomidos, e segurando com algumas das tantas mãos suas vísceras. O monstro uivou, e o feiticeiro, do chão, respondeu.

Lajud segurava o corpo do irmão, que se convulsionava, enquanto a boca imitava o discurso da besta. As palavras e as frases da criatura não respeitavam a mecânica do corpo do feiticeiro, e logo o maxilar lhe havia triturado a língua, e todos os dentes foram esmigalhados.

A visão baça pelas lágrimas, e a vertigem pela perda de sangue, foi lhe escurecendo a paisagem. Já havia entregado o irmão aos seus espasmos, e não lhe restara força alguma para lhe sustentar a consciência. Em suas últimas visões, o mancebo havia se levantado tal qual o monstro; tropeçando, debatendo-se e destruindo as construções imaginárias que o cercavam, enquanto desafiava com seus rugidos os deuses acima.

Do titã, miríades de olhos injetados de sangue saltavam dos crânios e ele rasgava as nuvens, enquanto gargalhava da tempestade de raios que lhe surrava o corpo. Ainda urrava aos céus, e estes respondiam, agora com voz quase humana, quando aquilo que parecia uma descomunal mão ia descendo sobre o corpo daquela besta.

O deus foi esmagado contra o solo; sob a potência de seu indicador.

O que veio depois disso foi a inconsciência.

Anderson D. C.
Anderson D. C.
Anderson Dias Cardoso, nascido em Anápolis-Go em 1979, residindo em Rondonópolis-MT. Formado em Belas Artes pela escola técnica Oswaldo Verano, cursou um ano e meio de teologia pelo SPBC, e agora é graduando em Direito pela Unic-Rondonópolis, onde cursa o 5° período. Aficionado em leitura desde a infância. Fã de Orwell, filmes inteligentes, e audiobooks. É blogueiro, contista, e péssimo em relações interpessoais.

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