Entrevista: Rodrigo Assis Mesquita

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Rodrigo Assis Mesquita, [deletado], é adepto da pré-pós-verdade, da liberdade dentro da cabeça e do brigadeiro de colher. Autor principalmente de ficção científica e fantasia, com contos e novelas publicados e despublicados por aí, tem histórias no Leitor Cabuloso, na Revista Mafagafo e no Story Seed Vault. Criador do universo Brasil Cyberpunk 2115 e aluno da Clarion West 2018.

Esperando Simone é uma ficção científica tocante que lida com temas como trans-humanismo. Como nasceu a ideia dessa história?

A história foi escrita por causa de um edital de uma coletânea cyberpunk. Na época estava trabalhando muito, mas o Santiago Santos e a minha esposa me incentivaram a ir em frente. Eu sentia falta de uma história que trouxesse personagens idosos com todos os problemas que a idade traz. Criei então o Alex, que não consegue lidar com a ausência da esposa nem conviver direito com a filha e o neto. Eu quis mostrar os custos financeiro e emocional que as mudanças trazem num mundo “de verdade”.

A maior parte do conto foi escrita em aviões e salas de aeroporto e, apesar de rejeitado pela coletânea, está voando longe.

Você tem planos para escrever mais histórias com esses personagens ou nesse mesmo universo?

A história acontece no mesmo mundo de Brasil Cyberpunk 2115, mas numa outra época e com outro enfoque. Enquanto aquele universo mostra as principais forças que moldam a sociedade e o futuro, “Esperando Simone” é um pequeno recorte que mostra a vida familiar e o envelhecimento de uma pessoa comum num mundo em que quase tudo pode ser substituído ou suprimido, se você puder pagar.

Não me vejo escrevendo mais nada com esses personagens, mas Brasil Cyberpunk segue vivo em “<deletado>”, publicado recentemente na Revista Mafagafo, e em outras histórias pendentes de revisão no meu computador que, quem sabe, encontrarão uma casa.

Como funciona seu processo criativo?

Meu processo criativo é caótico. No geral, vou anotando pedaços de ideias em documentos no Word e em aplicativos no celular, como o Evernote, até que, em algum momento, sento e vou escrevendo. Como quase não tenho mais tempo, vou anotando todos esses conceitos e linhas gerais para só então começar a escrever. A inspiração vem de todo lugar, de frases aleatórias, de fragmentos de conversas que ouço por aí, de filmes e livros (geralmente penso em coisas que faria diferente). Os contos bem pequenos eu geralmente escrevo de uma vez, os maiores do que 2500 palavras precisam de um outline com várias anotações.

Quais são as maiores influências na sua escrita?

Gosto do humor do Douglas Adams, da abordagem tecnológica e filosófica do Philip K. Dick e da concisão do Ted Chiang. Também me sinto encorajado por escritores como o Eric Novello e o Santiago Santos, que estão mandando bem produzindo histórias excelentes que se passam no Brasil.

Você foi selecionado para participar do prestigiado workshop da Clarion West esse ano. Nos fale um pouco sobre essa oportunidade incrível e o processo de seleção.

Comecei a me preparar para o processo de seleção da Clarion em 2016 fazendo vários cursos, treinando bastante o inglês, seguindo o perfil de vários editores norte-americanos, lendo sobre a experiência de aprovados de outros anos e prestando atenção em qualquer comentário sobre minhas histórias. São duas Clarion, na verdade, e o processo varia um pouco de uma para outra, mas para a Clarion West é preciso pagar uma taxa, escrever um ensaio contando por que quer ir para lá, o que espera alcançar etc, e mandar um conto de até 6000 palavras que represente o seu melhor trabalho.

Mandei uma versão um pouco mais enxuta do Esperando Simone e deu certo. Quando me ligaram dos EUA em meados de março, pensei, “nossa, esse pessoal é tão educado que se preocupa em te rejeitar pessoalmente”. Acho que até agora ainda não absorvi totalmente o feliz impacto de ter sido aceito.

Com a publicação desse conto, todos os co-host do Curta Ficção já terão sido publicado pela Trasgo. Nos fale um pouco sobre esse e outros projetos seus.

O Curta Ficção é um podcast sobre escrita que surgiu em 2016, mas do qual tive de dar um tempo por motivos de absoluta falta de tempo. Como não consigo mais levar mais de uma coisa por vez, meu projeto atual é só terminar tudo o que preciso terminar antes de embarcar para Seattle em junho. De janeiro para cá, foram publicadas algumas histórias minhas, como o “<deletado>” na Revista Mafagafo (mafagaforevista.com.br), o “Fio Puxado” no Leitor Cabuloso (leitorcabuloso.com.br/2018/05/fio-puxado) e duas microficções em inglês no Story Seed Vault (storyseedvault.com/tag/rodrigo-assis-mesquita).

Para quem curtiu seu conto e deseja acompanhar seu trabalho, quais são os caminhos?

O meu site Grifo Negro (grifonegro.com.br) e o meu perfil no Twitter @rgmesquita.

Lucas Ferraz
Lucas Ferraz
Lucas Ferraz é um Consutor de TI que se meteu a escrever e não parou mais. Participa dos podcasts CabulosoCast e Papo Lendário, sobre literatura e mitologia respectivamente. Escreve crônicas e edita os contos do Leitor Cabuloso e participa da Trasgo como revisor lucasferraz.com | @ferraz_lucas

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