Entrevista: H. Pueyo

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H. Pueyo escreve histórias curtas e compridas, além de roteiros para quadrinhos de diversos tamanhos. Publicou um punhado de coisas nos últimos anos, e espera poder sobreviver de ficção em um futuro próximo.

Achei curioso ter escolhido a figura do Ipupiara, menos conhecido do que sua versão feminina. Ainda acho que os mitos brasileiros são pouco explorados na literatura, o que acha?

Escolhi o Ipupiara exatamente por isso: como a Iara é mais conhecida, já existe conteúdo sobre ela, então foi interessante pensar em uma figura mais antiga.

Quanto aos mitos, concordo, e muito. Acho que é uma consequência da falta de incentivo combinada com nosso complexo de vira-lata. Nós temos lendas fantásticas aqui, mas consumimos muito mais o conteúdo de outros países, seja por falta de espaço ou por acharmos que tudo que é brasileiro é menos. O lado bom é que o número de autores novos interessados em explorar o folclore nacional está aumentando.

A figura de Isidoro é controversa. Ao mesmo tempo sujeito desprezível e protagonista da história. Por que um antiherói para esta narrativa?

“Ipupiara” é uma história relativamente velha, com alguns anos nas costas. Na época, eu queria escrever no ponto de vista de alguém que considero, como você falou, desprezível. Além disso, o relato que li a respeito da lenda foi escrito por portugueses, então pareceu apropriado que o protagonista também o fosse.

Mas, pra ser honesta, acho que hoje eu teria escrito no ponto de vista de Andirá.

Senti que seu estilo de escrita referencia os clássicos da nossa literatura, mas de forma mais dinâmica. Quais são as sua influências na literatura nacional? E de fora?

Ah… Eu queria ter uma boa resposta para esta pergunta, mas não tenho! Gostaria de apoiar a literatura nacional, mas eu leio muito pouco e tento evitar ao máximo influências de outros escritores… Sei que muitos são grandes leitores e acho isso fantástico—mas não é meu caso.

Por outro lado, tenho várias influências de outras mídias que gosto, como quadrinhos, música, artes visuais e cinema/TV.

Além de escrever em português, também tem contos em inglês publicados. Qual a diferença entre escrever em cada língua.

A maior diferença, pra mim, foi a fluência. Eu comecei a me interessar no mercado gringo lá por 2014, quando descobri revistas que pagavam bem e tinham um sistema de envio fácil, similar ao da Trasgo.

O problema é que eu não sabia quase nada da língua na época, e tive que correr para aprender na marra sozinha, e depois adaptar meu estilo ao inglês. Essa foi a parte mais complicada mas acho que hoje as duas línguas saem com naturalidade, e não tenho preferência entre elas.

Como é o seu processo criativo? Por onde costuma começar seus trabalhos?

Eu sou bem espontânea (até demais), e geralmente gosto de sentar e escrever o mais rápido possível. Isso costumava ser um problema maior para histórias um pouco mais antigas como “Ipupiara”, e eu acabava apressando as coisas demais sem pensar muito. Para histórias maiores ou mais complexas, eu gosto de fazer playlists que ambientem a história, salvar imagens que combinem com a estética, e tento deixar de molho até que eu sinta que é a hora de botar no papel.

Tem algo que esteja trabalhando que possa nos adiantar?

Não no momento, sinto muito!

Para quem gostou de “Ipupiara”, onde pode encontrar outros trabalhos seus?

Sou eremita demais para atualizar com frequência, mas às vezes posto novas publicações no meu Twitter @argiopidae.

Editor
Editor
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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